sexta-feira, 8 de junho de 2012


Discussão sobre a Educação

Por incrível que pareça após a redemocratização, a Educação no Brasil passou por um processo de sucateamento. Isso aconteceu por vários fatores, mas principalmente porque a política educacional acompanhou a implantação do neoliberalismo no país. Houve uma privatização da política estatal, minimizando o Estado e sua responsabilidade para com a Educação e instrumentalizando o Estado para com o capital e as corporações capitalistas.
Houve no Brasil, e isso é claro, uma desregulamentação das políticas públicas, inclusive a educacional. Em consequência, o foco da educação, que já não era formar cidadãos críticos e conscientes das nossas realidades social, política e econômica, se distanciou ainda mais daquilo que os profissionais da educação entendem como “educação de qualidade”.
Não podemos esquecer da descapitalização que a educação sofreu durante muitos anos. Falta dinheiro para o ensino de qualidade. As Secretarias Institucionais de Educação não têm condições para aplicar educação integral e os salários dos professores chegam a condições vergonhosas. Hoje o Brasil aplica menos de 5% do PIB nacional em Educação e o novo PNE define a meta de 7%. Contudo, 10% do PIB para a Educação é o mínimo para um país que deseja se desenvolver econômica e socialmente.
Órgãos internacionais como a ONU utilizam estatísticas para medir o avanço e incentivar a educação nos países emergentes e subdesenvolvidos. Mas no Brasil a Educação se tornou refém das estatísticas, pois os números são manipulados na base para indicar alto nível de aprovação, enquanto a qualidade do aprendizado está debilitada. As provas externas dos governos federal e estadual têm demonstrado que falta conteúdo a nossos alunos, que mal conseguem interpretar um texto.
Não obstante, a temática “qualidade de educação” tem sido discutida em todo país por sindicatos, movimentos sociais, no congresso nacional e também no Ministério da Educação. Contudo, essa discussão deve partir da base, isto é, de quem está na sala de aula, por quem está com o giz na mão, do professor.
Diante disso, em Poços de Caldas, o Sinpro Minas (Sindicato dos Professores de Minas Gerais) em parceria com SindUTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais), o SAAEMG (Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar de Minas Gerais), o Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Poços de Caldas) e o Educafro farão um bate papo sobre o novo PNE (Plano Nacional da Educação). O objetivo é chamar os profissionais da educação para discutir a educação em nosso país.
Defendemos uma educação de qualidade que corrobore para construção de uma civilização brasileira crítica e democrática e para isso todos devem se envolver no processo de luta.

Prof. Yuri Almeida – professor das redes pública e particular de Poços de Caldas

Bate papo sobre o Plano Nacional da Educação - Dia 03/12
As 08h na Câmara Municipal de Poços de Caldas
Entrada Gratuita

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"REINVENÇÃO DO CAPITAL" POR LEONARDO BOFF

" ESTA CRISE NÃO FOI SUPERADA E POSSIVELMENTE NÃO O SERÁ ENQUANTO PREVALECER O DOGMA ECONÔMICO, CRIDO RELIGIOSAMENTE PELAMAIORIA DOS ECONOMISTAS E PELO SISTEMA COM UM TODO, SEGUNDO O QUAL AS CRISES ECONÔMICAS SE RESOLVEM POR MECANISMOS ECONÔMICOS".

ATUALMENTE, GRANDE PARTE DA ECONOMIA É REGIDA PELO CAPITAL FINANCEIRO, QUER DIZER, POR AQUELES PAPÉIS E DERIVATIVOS QUE CIRCULAM NO MERCADO DE CAPITAIS E QUE SÃO NEGOCIADOS NAS BOLSAS DO MUNDO INTEIRO.
TRATA-SE DE UM CAPITAL VIRTUAL QUE NÃO ESTÁ NO PROCESSO PRODUTIVO, PROCESSO ESTE QUE GERA AQUILO QUE PODE SER CONSUMIDO.

NO FINANCEIRO, REINA A ESPECULAÇÃO, DINHEIRO FAZENDO DINHEIRO, SEM PASSAR PELA PRODUÇÃO.
VIGORA UM PERVERSO DESCOMPASSO ENTRE O CAPITAL REAL E O FINANCEIRO. NINGUÉM SABE EXATAMENTE AS CIFRAS, MAS CALCULA-SE QUE O CAPITAL FINANCEIRO SOMA CERCA DE 600 TRILHÕES DE DÓLARES, ENQUANTO O CAPITAL PRODUTIVO, DO CONJUNTO DE TODOS OS PAÍSES, ALCANÇA CERCA DE 63 TRILHÕES.
LOGICAMENTE, CHEGA O MOMENTO EM QUE, INVERTENDO A FRASE DO MANIFESTO DE MARX, "TUDO O QUE NÃO É SÓLIDO SE DESMANCHA NO AR".
FOI O QUE OCORREU EM 2007/2008 COM O DA BOLHA FINANCEIRA LIGADA AOS IMÓVEIS NOS EUA, QUE REPRESENTAVA UM TAL VOLUME DE DÍVIDAS QUE NENHUM CAPITAL REAL, VIA SISTEMA BANCÁRIO, PODIA SALDAR. HAVIA O RISCO DA QUEBRA EM CADEIA DE TODO O SISTEMA ECONÔMICO REAL. SE NÃO TIVESSE HAVIDO O SOCORRO AOS BANCOS, FEITO PELOS ESTADOS, INJETANDO CAPITAL REAL DOS CONTRIBUINTES, ASSISTIRÍAMOS A UMA DERROCADA GENERALIZADA.
ESTA CRISE NÃO FOI SUPERADA E POSSIVELMENTE NÃO SERÁ  ENQUANTO PREVALECER  O DOGMA ECONÔMICO, CRIDO RELIGIOSAMENTE PELA MAIORIA DOS ECONOMISTAS E PELO SISTEMA COM UM TODO, SEGUNDO O QUAL AS CRISES ECONÔMICAS SE RESOLVEM POR MECANISMOS ECONÔMICOS. A HERESIA DESSA CRENÇA RESIDE NA VISÃO REDUCIONISTA DE QUE A ECONOMIA É TUDO, PODE TUDO E DELA DEPENDE  O BEM-ESTAR DE UM PAIS E DE UM POVO.
OCORRE QUE OS VALORES QUE SUSTENTAM UMA VIDA HUMANA COM SENTIDO NÃO PASSAM PELA ECONOMIA. ELA GARANTE APENAS A SUA INFRAESTRUTURA. OS VALORES RESULTAM DE OUTRAS FONTES E DIMENÇÕES. SE ASSIM NÃO FOSSE, A FELICIDADE E O AMOR ESTARIAM À VENDA NOS BANCOS.
ESTE É O  TRANSFUNDO DO LIVRO DE ALTA DIVULGAÇÃO  "REINVENTANDO O CAPITAL/DINHEIRO" DE ROSE MARIE MURARO ( IDÉIAS E LETRAS 2012). ROSE  É UMA CONHECIDA ESCITORA, COM MAIS DE 35 LIVROS PUBLICADOS, E É TAMBÉM UMA DILIGENTE EDITORA, COM CERCA DE 1.600 TÍTULOS LANÇADOS. NUM INTENSO DIÁLOGO, TRABALHAMOS JUNTOS, POR MAIS DE 20 ANOS, NA EDITORA VOZES. DOIS TEMAS OCUPAM SEMPRE A AGENDA DE ROSE: A QUESTÃO FEMININA E A QUESTÃO DA CULTURA TECNOLÓGICA.
FOI ELA QUEM INAUGUROU OFICIALMENTE O DISCURSO FENINO NO BRASIL, ESCREVENDO UM LIVRO COM  UM MÉTODO INOVADOR: " A SEXUALIDADE DA MULHER BRASILEIRA" (VOZES 1993).
COM UM OLHAR  PERSPICAZ DENUNCIOU O PODER DESTRUIDOR E ATÉ SUICIDA  DA TECNOCIÊNCIA, ESPECIALMENTE, EM SEU LIVRO: QUERENDO SER DEUS? OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS E O FUTURO DA HUMANIDADE" (VOZES 2009). 
NO LIVRO "REINVENTANDO O CAPITAL/DINHEIRO" FAZ UM HISTÓRICO DO DINHEIRO DESDE A MAIS REMOTA ANTIGUIDADE, SEGUINDO UM ESQUEMA ESCLARECEDOR: O GANHA/GANHA, O GANHA/PERDE, O PERDE/PERDE E A NECESSÁRIA VOLTA AO GANHA/GANHA, SE QUISERMOS SALVAR NOSSA CIVILIZAÇÃO AMEAÇADA PELA GANÂNCIA CAPITALISTA.
 NA PRÉ-HISTÓRIA PREDOMINAVA O GANHA/GANHA. VIGORAVA O ESCAMBO, ISTO É , A TROCA DE PRODUTOS. REINAVA GRANDE SOLIDARIEDADE ENTRE TODOS. NO PERÍODO AGRÁRIO ENTROU O DINHEIRO/MOEDA. OS DONOS DE TERRAS PRODUZIAM MAIS, VENDIAM O EXCEDENTE. O DINHEIRO GANHO ERA EMPRESTADO A JUROS. COM OS JUROS ENTROU O GANHA/PERDE. FOI UM BACILO QUE CONTAMINOU TODAS AS TRANSAÇÕES ECONÔMICAS POSTERIORES.
NO PERÍODO INDUSTRIAL ESTA LÓGICA SE REALIZOU POIS O CAPITAL ASSUMIU A HEMONIA E ESTABELECEU OS PREÇOS E OS NÍVEIS DE JUROS COMPOSTOS. COMO O CAPITAL ESTÁ EM POUCAS MÃOS, CRESCEU O PERDE/GANHA. PARAQUE ALGUNS POUCOS GANHEM, MUITOS DEVEM PERDER. COM A GLOBALIZAÇÃO, O CAPITAL OCUPOU TODOS OS ESPAÇOS. NO AFÃ DE ACUMULAR MAIS AINDA, ESTÁ DEVASTANDO A NATUREZA.  AGORA VIGORA O PERDE/PERDE, POIS TANTO O DONO DO CAPITAL COMO A NATUREZA SAEM PREJUDICADOS. NO PERÍODO DA INFORMAÇÃO CRIOU-SE A CHANCE DE UM GANHA/GANHA, POIS A NATUREZA DA INFORMAÇÃO, ESPECIALMENTE DA INTERNET É POSSÍBILITAR QUE TODOS SE RELACIONEM COM TODOS .
DEVIDO AO CONTROLE DO CAPITAL, GANHA/GANHA NÃO CONSEGUE SE IMPOR. MAS SUA FORÇA INTERNA IRÁ INAUGURAR UMA NOVA ERA, QUEM SABE, ATÉ COM UMA MOEDA UNIVERSAL, SUGERIDA PELO ECONOMISTA BRASILEIRO GERALDO FERREIRA DE ARAÚJO FILHO, CUJO VALOR NÃO INCLUIRÁ APENAS A ECONOMIA, MAS "VALORES" COMO A EDUCAÇÃO, A NATUREZA E OUTROS. ROSE APOSTA NESTA LÓGICA DO GANHA/GANHA, AÚNICA QUE PODERÁ SALVAR A NATUREZA E A NOSSACIVILIZAÇÃO.     

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

SOBRE AS ETAPAS PRÉ-CRISTÃS DA REVELAÇÃO DE DEUS NO PRIMEIRO TESTAMENTO

(Handall Fabrício Martins)

Talvez o que mais tenha contribuído para a mudança de mentalidade do povo de Israel com relação ao Deus do Êxodo, do deserto e da Aliança sejam, de fato, as marcas impingidas pelo desterro, que, literalmente, tiraram o chão do povo. Deus precisou permitir que o seu povo escolhido, eleito, amado fosse levado cativo, perdesse a posse de sua terra, a qual lhe foi dada por herança pelo mesmo Deus, segundo promessa e juramento aos antepassados, para que esse mesmo povo compreendesse que Ele, Deus, era muito mais do que aquilo que eles haviam emoldurado em seus corações: um Deus limitado, exclusivo, que habita um lugar específico, longe do qual se está longe do próprio Deus. Eles haviam “encaixotado” Deus, à medida que O tinham por terrível, distante e desvinculado do cotidiano: uma atitude conveniente e até contraditória, que expressava liberdade diante do profano e terror ante o sagrado. A religiosidade se manifestava na exterioridade, indiretamente. Deus era santíssimo, e o homem, impuro. Havia a necessidade de mediação para se relacionar com esse Deus, por meio de rituais e purificações, e sem isso era impossível relacionar-se com Ele.
Numa segunda etapa, Deus continuou sendo o Deus da Aliança, e Israel seu povo escolhido. Porém, a relação com Deus se tornou mais próxima, mais moral; Javé exigia fidelidade, queria atingir o coração, tinha ciúme de seu povo, como o esposo da esposa, e não queria meramente rituais. Interessante que a relação se tornou num “toma lá dá cá”, ou seja: o povo obedecia aos mandamentos e Deus o recompensava. Todavia, contraditoriamente, muitas vezes o ímpio se estabelecia, ao passo que o justo sofria: era uma lacuna que ainda havia na concepção de Deus e que precisava ser preenchida. Todavia, não existia, ainda, a noção de monoteísmo.
Durante e depois do exílio, concebeu-se a idéia do Deus Criador, único (monoteísmo) e desvinculado de qualquer lugar terreno; antes, universal (de todos os povos e terras – toda pessoa, de qualquer lugar, tem valor) e transcendente. Deus passou a ser visto como soberano, que faz o que quer, como quiser e com quem quer que seja, independentemente das atitudes humanas. Ninguém pode se arrogar justo diante dEle: ou o homem se submete ou é exterminado. O ser humano tem sede de Deus, porém também treme ante a sua glória. Sequer Seu nome pode ser pronunciado. A Aliança assume um papel ainda mais moral, individual, mas sua observância ainda determinava a história, ou seja, a lacuna da contradição, muitas vezes existente, entre obediência à Lei e recompensa aqui na terra, persistia. Só com a literatura sapiencial é que se começou a esboçar uma idéia diferente, usando-se os conceitos de soberania e transcendência de Deus. Para justificar aquela lacuna, introduziram-se as noções de sono de Deus, segundo a qual Deus despertaria e faria justiça ao justo e ao ímpio, e de prazo: Deus pode demorar, tardar, mas virá e fará justiça. Ainda não surge a esperança do além-túmulo; logo, a justiça é feita aqui na terra, mas essa justiça não chegava! Não cabia ao homem questionar, mas, tão-somente, calar-se e adorar, aceitar o agir de Deus, pois este não é passível de conhecimento, e a vida não tem um sentido lógico. Houve um distanciamento pedagógico, a fim de estreitar o relacionamento de Deus com seu povo, vivendo a gratuidade, sem parâmetros de méritos e merecimentos. Esboçou-se uma afirmação da profanidade das coisas e dos papéis cultual e histórico do ser humano no cosmos.
À par dos aspectos positivos existentes desde o início da trajetória de Abraão até o estabelecimento do judaísmo, alguns pontos negativos saltam aos olhos, por terem seu correspondente na atualidade. São eles: a) a mera religiosidade, legalismo, ritualismo e superstição; b) a crença de que se pode “barganhar” com Deus, cumulando, inclusive, créditos; c) idolatria dos sacerdotes; d) moralidade baseada em prescrições e proibições do tipo: “isso pode, aquilo não pode”; e) apropriação de Deus, arrogando-se o conhecimento dEle; f) fundamentalismo, no sentido pejorativo de se valorizar mais os dogmas do que a prática, desrespeitando a liberdade do outro; isso se manifesta por: proselitismo; divisão do mundo naqueles que são “dos nossos” e os que não são; uso ideológico e político da religião (aqui, os fins justificam os meios, inclusive os desumanos, como coação e violência); justificação teológica de diversas barbáries; justificação moral da história; g) fatalismo com relação à religião; h) desconfiança de todo propósito religioso; i) crença de que a religião nada tem a ver com a sociedade, mas só com a moral em nível privado; isso acarreta: a idéia de que as desigualdades sociais e todos os demais acontecimentos expressam a vontade divina; reforço da piedade individual, em detrimento da comunhão.
Agora, com relação à evolução positiva da teologia judaica e a herança dela para o cristianismo, podemos citar: a) Deus, o absoluto, é amor, pois só o amor desinstala, nos tira das nossas seguranças, e nos leva ao desconhecido, para onde nunca fomos, para fazer algo que não sabemos, mas que Deus sabe; b) o ser humano é colaborador de Deus, ainda que indireto, nos desígnios que Ele realiza na história, logo, somos o novo povo de Deus, o povo da nova e eterna aliança; isso tanto mais é verdade se olharmos o exemplo de Cristo, que recapitulou a história por meio de sua encarnação, vida, morte e ressurreição, inaugurando nova criação e sendo tudo em todos; c) transcendência, universalidade e unicidade de Deus, associadas: à fragilidade do homem; sua dependência de Deus; a gratuidade da salvação que Ele nos ofertou, independentemente de méritos, baseada na misericórdia divina e na nossa contrapartida (correspondente à fé e a entrega); à personalização e mediação do relacionamento com Deus, por meio de Cristo; à adoração.
Pode, à primeira vista, parecer que os aspectos negativos se apresentam como muito mais patentes e efetivos, haja vista tanta aberração e hipocrisia que se tem visto. Aliás, o dedo do homem, sempre querendo dar “uma ajudinha” pra Deus, tem sido o pior aspecto do cristianismo, revelando sua pior faceta. Entretanto, chegamos à plenitude da revelação de Deus na história, o Cristo, e, ainda que não compreendamos totalmente os desígnios desse Deus, sabemos que tudo reside em Jesus, porque dele, por ele e pra ele são todas as coisas. O Cristo representa para nós, cristãos, a própria experiência com Deus, aumentando-nos a fé, realizando-a e radicalizando-a. Cristo é o foco, em cujo centro está o próprio Deus, o Pai, que subverte a ordem “natural” das coisas e liberta, segundo o Espírito do mesmo Deus.
Desta forma, não há oposição entre o Primeiro e o Segundo Testamentos; ambos fazem parte de um movimento único. Jesus é a figura humana acessível e central, ao mesmo tempo em que é divino; não é uma revelação a mais de Deus, mas é o próprio Deus revelado. Infelizmente, os judeus não entenderam dessa forma, pois para eles, aceitar Jesus como Deus, seria abrir mão do monoteísmo que eles aperfeiçoaram a duras penas.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Big Brother Brasil pode sair do ar



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Big Brother Brasil pode sair do ar

Versão piorada dos piores programas de TV do chamado primeiro mundo, o Big Brother Brasil pode sair do ar. A queda de audiência, desde a primeira edição do programa é preocupante para a Globo, apesar dos lucros. Em 2005, quando atingiu a melhor média no Ibope, o programa fechou com 47,5 pontos .  Na edição de 2011, a média foi de pouco mais de 27 pontos. O programa já perdeu quase a metade de seus espectadores.

Por que a Globo mantém o Programa no ar, apesar da queda de audiência?
Infelizmente, mesmo com público reduzido, o número de ligações para os ridículos “paredões” ainda rende muito dinheiro. Além disso, ainda há empresas insensíveis e desrespeitosas para com o povo brasileiro, que continuam patrocinando esse tipo de programação.

Como fazer para tirar esse tipo de programa do ar?
Uma medida judicial seria considerada pelas elites como censura. As mesmas elites não acusam de censura o veto das emissoras privadas ao Fórum Social Mundial, por exemplo.
O caminho é a pressão popular:
- Não assista!
- Fale com seus amigos para não assistir!
- Não telefone e convença seus amigos que, num sistema ruim como o do Brasil, ao congestionar uma rede telefônica (muitas ligações ao mesmo tempo), eles podem até impedir que uma pessoa necessitada receba socorro medico.
- Boicote os produtos dos patrocinadores do programa, pelo menos neste período (Guaraná Antártica, OMO, Fiat, Cerveja Devassa, Niely). 
- Escreva para empresas as patrocinadoras alertando para o risco de grandes campanhas de boicote (hoje todo mundo teme a internet). A Avon já teve que declarar que não patrocina o Big Brother, mas que apenas veicula propagandas no horário. Hipocrisia! Pressione a Avon também!
- Pressione o Judiciário e o Legislativo. Não se esqueça, televisão é concessão pública, cabe à sociedade exigir programação de qualidade. 

Um estupro ou muitos estupros?
Na edição de 2012 teve repercussão o possível caso de estupro, com o aval do apresentador Pedro Bial (diante das cenas, teria inicialmente dito que “o amor é lindo”). A omissão da Rede Globo é anterior ao fato, não só por manter o programa no ar, mas por manter o próprio apresentador, já denunciado por violência doméstica cometida contra sua própria companheira. Espera-se que um dia a televisão brasileira deixe de dar espaço para esse tipo de “profissional”. 

Uma mulher vítima de estupro, o incentivo para que outros homens cometam a mesma violência, desrespeito à mulher e à sociedade como um todo. O problema de fundo: melhor do que estimular pessoas disputarem um ou dois milhões de reais, fazendo uso de todas as formas de violência, não seria melhor estimular a solidariedade e a partilha? 

O caminho talvez esteja mesmo no boicote a qualquer tipo de programa de baixaria e na valorização da programação das TVs públicas. 

Pense nisso. E aja!


sábado, 28 de janeiro de 2012

                                                 ESCATOLOGIA APOCALIPTICA
DEVE-SE TER EM MENTE QUE EXISTEM DIFERENTES TIPOS DE ESCATOLOGIA APOCALIPTICA.
-TODOS OS APOCALIPSES NO ENTANTO, ENVOLVEM UMA ESCATOLOGIA TRANSCEDENTES, QUE VASA A RETRIBUIÇÃO ALÉM DAS FRONTEIRAS DA HÍSTORIA. EM ALGUNS CASOS, ( III BARUQUE, APOCALIPSE DE SOFONIA) ISSO ASSUME A FORMA DE JULGAMENTO DOS INDIVIDUOS APÓS A MORTE, SEM REFERENCIAS, AO FINAL DA HISTÓRIA.
- O GÊNERO NÃO É CONSTITUIDO POR UM OU MAIS TEMAS DISTINTIVO DE ELEMENTOS, TODOS OS QUAIS SE ENCONTRAM TAMBÉM EM OUTROS LOCAIS.
- EXISTEM ESCATOLOGIAS APOCALIPTICAS, FORA DOS APOCALIPSE, POR EXEMPLO, NOS EVANGELHOS E NAS EPISTOLAS PAULINAS.
- É NECESSÁRIO ANALIZAR COM CUIDADO A EXISTÊNCIA DE AFINIDADES ENTRE AS ALUSÕES, ESCATOLÓGICAS E OS CENÁRIOS QUE SÃO ENCONTRADOS  DE MANEIRA ELABORADA NOS APOCALIPSE.
                                                       APOCALIPTICISMO
1- EXPECTATIVA URGENTE DO FIM DAS CONDIÇOES TERRENAS EM UM FUTURO IMEDIATO.
2- O FINAL COMO UMA CATÁSTROFE CÓSMICA.
3- PERIODIZAÇÃO E DETERMINISMO.
4- ATIVIDADE DE ANJOS E DEMÔNIOS,
5- NOVA SALVAÇÃO DE CARACTER PARADISÍACO.
6- MANISFESTAÇÃO DO REINO DE DEUS,
7- UM MEDIADOR COM FUNÇÕES REAIS,
8- A PALAVRA GUIA "GLÓRIA".
- ALGUNS DOS LIVROS SÃO CONVENCIONALMENTE, CONSIDERADOS APOCALIPSE SÃO DISTITUIDO DE APOCALIPTICISMOPARA TODOS OS PRÓPRIOS PRÁTICOS [....] APOCALIPSEES VERDADEIRAMENTE APOCALIPTICOS SÃO A ESCEÇÃO EM VOZ DA REGRA.
MESMO QUE O APOCALIPTICISMO SEJA UM MOVIMENTO OU SE REFIRA AO UNIVERSO SIMBOLISMO NO QUAL O MOVIMENTO APOCALIPTICO CONDIFICA A SUA INDENTIDADE E INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE, NÃO É SIMPLESMENTE INDÊNTICO AO CONTEÚDO DOS APOCALIPSES.
APOCALIPTICISMO = MOVIMENTO
APOCALIPTICO = COMUNIDADE
1 LUGAR= O APOCALIPSE DE JOÃO ELE É LITERATURA APOCALIPTICA DO CRISTIANISMO PRIMITIVO AS SETE (7) IGREJAS.
JOÃO - PROFETA- VIDENTE.
FOI ELE O INTERLOCUTOR DOS PRESSÁGIOS, VISÕES DELIBERADAMENTE USA O GÊMERO APOCALISE OU SEJA A LINGUAGEM APOCALIPTICA PARA SE DIRIGIR A COMUNIDADE CRISTÃ.
NESSA ÉPOCA OS ARQUES INIMIGOS DE DEUS, ERAM DOIS, A SABER:
- O IMPÉRIO ROMANO
- O IMERADOR- DO GR. KYRIOS= SENHOR.
O CASO DOS (7) SETE SÃO REPETIÇÕES EX: É O SONHO DE FARAÓ QUE JOSÉ INTERPRETOU, SEGUNDO ALGUNS ESTUDIOSOS, MAS NÃO SÃO POR QUE SÃO HISTÓRIA.
FICAMOS POR AQUI, BREVE POSTAREI A CONTINUAÇÃO DOS ASSUNTOS, QUE PRETENDO DEIXAR PARA VOCÊS...ABRAÇO. ALAOR COUTINHO ( SEMINARISTA)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A DECADÊNCIA DA TELEVISÃO BRASILEIRA. POR ALAOR COUTINHO ( SEMINARÍSTA)


A DECADÊNCIA DA TELEVISÃO BRASILEIRA.

ATÉ  QUE PONTO PODE-SE CHEGAR AO CUMULO DA TELEVISÃO  BRASILEIRA? SABEMOS QUE A TELEVISÃO, FOI UM DOS MAIRES MEIOS DE COMUNICAÇÃO CRIADO NO PASSADO, MAS O QUE ESSE MEIO DE COMUNICAÇÃO TEM FEITO, AOS NOSSOS TELESPTADORES DE MODO GERAL? VEMOS ATRAVÉS DESSE MEIO DE COMUNICAÇÃO, COISAS IMPORTANTES PARA NOSSAS VIDAS NO NOSSO DIA- A DIA, PORÉM VEMOS TAMBÉM, COISAS QUE ESTRAPOLA OS LIMITES DAQUILO, QUE O CONSIDERAMOS COMO CUMULO. RECENTEMENTE VÍ EM UMA EMISSORA, MUITO CONHECIDA DE TODOS, O QUE E COMO UMA EMISSSORA DE TELEVISÃO TEM O PODER DE DOMINAR AS MENTES DE SEUS TELESPTADORES, ATRAVÉS DA MÍDIA, EM UM PROGRAMA MUITO,  BEM COMENTADO, POR TODOS PRINCIPALMENTE NA CLASSE JOVEM, CHAMADO DE BIG BROTHER EU PUDE OBESERVAR, O QUANTO É PODEROSA ESSA ARMA CHAMADA "MÍDIA". TALVEZ VOCÊ  QUE POSSA ESTA LENDO, MINHA POSTAGEM POSSA ESTA SE PERGUNTANDO ONDE EU QUEIRO CHEGAR COM ISSO E O QUE EU QUERO PASSAR COM ISSO, POIS BEM EU NÃO SOU UM  TELESPETADOR, DO BIG BROTHER E NÃO PERCO MEU PRECIOSO TEMPO EM VE-LO, PORÉM PUDE LER EM UM JORNAL E VER, NA INTERNET, COMO O RACISMO, AINDA PREDOMINA NÃO SOMENTE NO NOSSO PAÍS PORÉM NO MUNDO.PUDE LER QUE UM CERTO PARTICIPANTE, FOI ACUSADO DE TER ESTRUPADO UMA MOÇA, DA QUAL PARTICIPA DO MESMO RIALIT SHOW, ONDE A MESMA O ACUSOU DE TE-LA ESTRUPADA APÓS ELA TER INGERIDO UMA CERTA DOSE DE BEBIDAS ALCÓLICAS, E O MESMO LOGO FOI TIRADO DO JOGO, ONTEM  NO COMEÇO DO PROGRAMA SEGUNDO A FALA DE SEU APRESENTADOR, PEDRO BIAL ELA ESSA MESMA MOÇA JA MUDOU SUA VERSÃO. O QUE NÓS PODEMOS ENTENDER COM ISSO? VAMOS FALAR NO POPULAR, ELA FOI OU NAO ESTRUPADA? ELA DEU OU NAO DEU PRO CARA DE LIVRE E ESPONTANEA VONTADE? A VERDADE É QUE OS RIALIT SHOWS, TEM DE UMA CERTA FORMA, DOMINANDO, A VIDA, A MANEIRA DE PENSAR E ETC DE SEUS TELESPTADORES, ISSO NÃO TEMOS DUVIDAS, POIS SABEMOS QUE LÁ GANHA QUEM ELES QUEREM E NÃO QUEM NÓS QUEREMOS, BESTAS SÃO OS QUE ACHA QUE SÓ GANHAM QUEM ELES VOTAM.SEM FALAR QUE ESSES PROGRAMAS TEM MANCHADO, NOSSA SOCIEDADES, ESSES PROGRAMAS TEM MUDADO, A MANEIRA DE PENSAR DE MUITAS PESSOAS, ATRAVÉS DESSES PROGRMAS, SÃO IMPLATADOS O HOMOSEXUALISMO, COMO UMA COISA NORMAL, TEM IMPLANTADO TRAIÇÃO COMO UMA COISA NORMAL, O RAÇISMO COMO UMA COISA NORMAL, JÁ SE FAZ ANOS E TODOS NÓS SABEMOS QUE, A ESCRAVIDÃO, NO NOSSO PAÍS FOI ABOLIDA E GRAÇA A DEUS POR ISSO, SE NÃO O QUE SERIA DE MIM E MUITOS OUTROS? MAS A TELEVISÃO E OUTROS MEIOS DE COMUNICAÇÃO TEM-NOS FEITO ESCRAVOS, DE SUAS APRESENTAÇÕES E ASSIM NOS ESCRAVIZANDO, NO SEU "MUNDO" DE FANTASIAS, QUE NO FUNDO  ESTÁ JOGANDO NOSSA SOCIEDADE NA LAMA, NO LIXO, E ESTA CADA DIA MAIS, LEVANDO MILHÕES E MILHÕES, DE PESSOAS SEJA, NOVOS, VELHOS E  DE TODAS AS CLASSES. ESTAMOS PASSANDO DA HORA DE REVER NOSSOS, CONCEITOS, EU AINDA NÃO SOU PAI, MAS SEI QUE SEREI UM DIA, E O QUE VOCÊ QUE É PAI, TEM FEITO PARA ATRAIR A ATENÇÃO DE SEUS FILHOS AO INVÉS DE DEIXA-LOS VELOS UMAS PORCARIAS COMO ESSAS? PRA MIM QUEM PERDE SEU PRECIOSO TEMPO VENDO BIG BROTHER E OUTROS TIPOS DE RIALIT SHOWS QUE TEM POR AE, ESTA, JOGANDO SEU TEMPO FORA E A INFÂNCIA DE SEUS FILHOS NA LATA DO LIXO, NO VASO E DANDO DESCARGA. NÃO SOU CONTRA A NENHUM MEIO DE COMUNICAÇÃO, MUITO PELO CONTRÁRIO, ACHO ELES MARAVILHOSOS, MAS VAMOS APRENDER DOMINÁ-LOS, ANTES QUE ELES NOS DOMINEM, COMO JÁ TEM DOMINADOS A MUITOS. [Image]É ISSO AE VIVA A NOSSA INGNORÂNCIA!!!!!! É ISSO QUE OS RIALIALTS SHOWS TEM FEITO COM NOSSA, SOCIEDADE, ESTRUPANDO-A, INFELIZMENTE O POVO BRASILEIRO, TEM DEIXADO ISSO ADENTRAR NOS SEUS LARES. QUE POSSAMOS, A PARTIR DE HOJE, PARAR-MOS DE SER ESTRUPADOS, PELA MÍDIA QUE TODOS OS DIAS, NOS ESTRUPA, COM SUAS ORGIAS AUDIO-VISUAIS.FIQUEM COM DEUS E VAMOS APRENDER, A SEREM MAIS PESQUISADORES, DO QUE SIMPLESMENTE, OUVIDORES, OUVIR É BOM? SIM CLARO MAS PESQUISAR, O QUE ESTAMOS OUVINDO ANTES DE INGERIR É MELHOR AINDA.ABRAÇOS A TODOS VOCÊS!!!!!!! ALAOR COUTINHO ( SEMINARISTA)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

DEUS UMA BIOGRAFIA

SEGUNDA-FEIRA 05 DE DEZEMBO DE 2011DEUS- UMA BIOGRAFIA

Deus - Uma biografia

Pesquisadores revelam que Javé, o grande personagem da Bíblia, não foi visto sempre como Deus único. Antes do Livro Sagrado, ele era só mais um entre muitas divindades. Saiba como Deus conquistou seu espaço no céu. E na Terra 

por: Alaor coutnho, gomes 

Cada sociedade vê a figura do Criador à sua maneira. Cada indivíduo, até. Para Einstein, Ele era as leis que governam o tempo e o espaço - a natureza em sua acepção mais profunda. Para os ateus, Deus é uma ilusão. Para o papa Bento 16, é o amor, a caridade. "Quem ama habita Deus; ao mesmo tempo, Deus habita quem ama", escreveu em sua primeira encíclica.

Pontos de vista à parte, toda cultura humana já teve seu
Deus. Seus deuses, na maioria dos casos: seres divinos que interagiam entre si em mitologias de enredo farto, recheadas de brigas, lágrimas, reconciliações. Os deuses eram humanos.

Mas isso mudou. A imagem divina que se consolidou é bem diferente.
Deus ganhou letra maiúscula na cultura ocidental. Os panteões divinos acabaram. Deus tornou-se único. É o Deus da Bíblia, Javé, o criador da luz e da humanidade. O pai de Jesus. Essa concepção, que hoje parece eterna, de tanto que a conhecemos, não nasceu pronta. Ela é fruto de fatos históricos que aconteceram antes de a Bíblia ter sido escrita. O próprio Javé já foi uma divindade entre muitas. Fez parte de um panteão do qual não era nem o chefe. O fato de ele ter se tornado o Deus supremo, então, é marcante: se fosse entre os deuses gregos, seria como se uma divindade de baixo escalão, como o Cupido, tivesse ascendido a uma posição maior que a de Zeus É essa história que vamos contar aqui. A história de Javé, a figura que começou como um pequeno deus do deserto e depois moldaria a forma como cada um de nós entende a ideia de Deus, não importando quem ou o que Deus seja para você.

Criança
No princípio, Ele não sabia falar. Só chorava, grunhia e balbuciava. Deus era uma criança. Uma não, muitas: um deus era a chuva, outro deus, o Sol, mais outro, o trovão... Os deuses eram as forças por trás de uma natureza inexplicável para os primeiros humanos da Terra. Facetas de divindades borbulhavam em cachoeiras, galopavam com os cavalos selvagens, voavam com o vento, escondiam-se em cada rochedo, bosque ou duna do deserto. E do deserto veio a que daria origem ao Deus para valer.

Deuses nasceram do pôquer. A crença em divindades provavelmente vem da capacidade humana de detectar as intenções das outras pessoas. Somos muito bons nisso desde que surgimos, há 200 mil anos, e precisamos ser mesmo, porque o Homo sapiens sempre levou a vida social mais complicada do reino animal, sempre em comunidades cheias de intrigas, fingimentos, traições. Saber o que se passa na cabeça do outro era questão de sobrevivência - e até certo ponto ainda é.

E a melhor maneira de tentar se antecipar a um adversário nos jogos mentais do dia a dia é imaginar as intenções dele: "O que será que ele pensa que eu estou pensando?" Nosso cérebro é uma máquina de pôquer.

Pesquisadores como o antropólogo francês Pascal Boyer defendem que esse sistema de detecção de intenções pode acabar aplicado a coisas que não têm intenções de nenhum tipo - como a chuva, ou o Sol. A ideia de que há espíritos de toda sorte da natureza seria, assim, um efeito colateral do nosso sistema de detecção de mentes, tão hiperativo.

Por esse ponto de vista, a espiritualidade faz parte dos nossos instintos. É quase tão natural acreditar em divindades quanto comer ou dormir.

Cada fenômeno da natureza, então, representava as intenções de alguma divindade. É como ainda acontece nas tribos de caçadores-coletores de hoje. Entre os índios tupis, os trovões são a raiva do
deus Tupã. E fim de papo.

Obras de arte de mais de 30 mil anos atrás dão outra pista sobre essa espiri-tualidade primitiva - que podemos chamar de "infância de
Deus" (no caso, dos deuses). Elas mostram seres que misturam características humanas e animais - sujeitos com cabeça de leão ou de rena e corpo de gente, por exemplo.

Acredita-se que essas criaturas híbridas representem um tipo de crença que ainda é comum nas tribos indígenas: a de que não haveria separação rígida entre o mundo dos humanos, o dos animais e o dos espíritos. Seria possível transitar entre essas esferas se você possuísse o conhecimento correto, e, em tese, qualquer falecido, seja pessoa, seja bicho, pode ter um papel parecido com o que associamos normalmente a um
deus.

Os deuses abandonam de vez as feições animais quando os bichos se tornam menos importantes no nosso cotidiano. Foi precisamente o que aconteceu quando a agricultura foi criada, há 10 mil anos, no Oriente Médio. Graças a ela, montamos as primeiras cidades. E a nossa espiritualidade progrediria junto: acabaria bem mais centrada nas pessoas que na natureza selvagem.

Há sinais de que ancestrais mortos eram as grandes entidades com status divino nessas primeiras cidades. Um exemplo arqueológico vem de escavações em Jericó, uma das mais antigas aglomerações humanas, que hoje fica no território palestino da Cisjordânia. Os habitantes de Jericó enterravam o corpo de seus mortos, mas guardavam o crânio, que era recoberto com camadas de gesso e tinta, simulando o rosto humano. Assim preparada, a caveira talvez servisse de oráculo doméstico - uma espécie de
deus particular para cada família.

Os artesãos de crânios de Jericó não tinham escrita - aliás, passariam mais de 5 mil anos até que essa tecnologia fosse inventada. Quando isso finalmente aconteceu, em torno do ano 2000 a.C., os
deus ficaram bem mais sofisticados.

Entraram em cena criaturas ao estilo dos habitantes do Olimpo na mitologia grega. Em parte, alguns deles até eram mesmo personificações das forças da natureza, mas agora eles ganhavam personalidades e biografias complexas.

É aí que está a origem do grande personagem desta história: Javé, uma divindade que provavelmente começou como um
deus menor, cultuado por nômades. Bem antes de a Bíblia ser escrita.

Cabeça de leão
Estátuas e pinturas de povos caçadores, que viviam nas cavernas da Europa há 30 mil anos, mostram figuras que misturam formas de homens e de animais. Tudo indica que esses foram os primeiros deuses a habitar a mente humana.

Jovem
O rapaz era uma divindade dos desertos do sul. Junto com seus poucos súditos, chegaria à pulsante Canãa, domínio do deus El, o altíssimo. Ao lado do soberano, a mãe de divindades e homens, Asherah, senhora de tudo o que é fértil, e seu sucessor, Baal, o deus que dava chuvas àquelas paisagens àridas. Tudo na santa paz. Eles só não imaginavam que Javé tramava a destruição deles.

Ele começou de baixo. Era só mais um
deus entre vários outros de sua região. Só que na Bíblia Javé é identificado como o Deus único. Hoje, cogitar a existência de outras divindades que teriam convivido com o Senhor da Bíblia é um absurdo do ponto de vista religioso. Mas não do ponto de vista científico. Pesquisadores de várias áreas - arqueólogos, linguistas, teólogos - estão encontrando pistas sobre uma provável "vida pregressa" de Javé. Uma vida mitológica que ele teve antes de seu nome ir parar na Bíblia como o da entidade que criou tudo.

Onde pesquisar isso? A própria
Bíblia é uma fonte. O Livro Sagrado não foi feito de uma vez. Trata-se de uma coleção de textos escritos ao longo de séculos. O Pentateuco, os 5 primeiros livros da Bíblia, foi finalizado por volta de 550 a.C. Mas há textos ali de 1000 a.C., ou de antes. E nada disso foi editado em ordem cronológica - em grande parte, a Bíblia é uma junção de textos independentes, cada um escrito em tempos e realidades diferentes.

Como saber a que tempo e a que realidade cada um pertence? Pela linguagem. Pesquisadores analisam as expressões do texto original, em hebraico, e vão comparando com a de documentos encontrados em escavações arqueológicas, cuja datação é fácil de determinar. Com esse método, chegaram a uma descoberta reveladora. Alguns poemas da
Bíblia dão a entender que Javé era uma divindade de lugares chamados Teiman ou Paran - dizendo literalmente que o deus veio dessas regiões. E esses textos estão justamente entre os mais antigos - se a língua do livro fosse o português moderno, eles estariam mais para Camões.

Teiman e Paran eram lugares desérticos fora das fronteiras onde viviam os homens que escreveram a
Bíblia. Não se sabe exatamente que regiões eram essas, já que os nomes dos territórios vão mudando ao longo dos séculos. "Mas arqueólogos supõem que essa região seja no noroeste da atual Arábia Saudita", diz Mark Smith, professor de estudos bíblicos da Universidade de Nova York. E isso diz muito.

Os autores dos primeiros textos da
Bíblia viviam na antiga Canaã - uma região do Oriente Médio onde hoje estão Israel, os territórios palestinos e partes da Síria e do Líbano. Ali se formaram algumas das primeiras civilizações da história, há 10 mil anos. E por volta de 1000 a.C. já era um território disputado (como nunca deixou de ser, por sinal). Estava dividido numa miríade de tribos, as dos israelitas, a dos hititas, a dos jebedeus...

Apesar das rivalidades, todas tinham culturas parecidas. Reverenciavam o mesmo panteão de deuses, por exemplo. Mas Javé, pelo jeito, não era um deles. Teria sido importado das áreas mais desérticas do sul.

Outra evidência disso é a associação de seu nome com os chamados shasu. Shasu é um termo egípcio que significa "nômade" ou "beduíno". Algumas inscrições egípcias mencionam um "Javé dos Shasu".

Uma possibilidade, então, é que nômades do deserto teriam se incorporado às tribos israelitas, trazendo o novo
deus com eles. Essa divindade se embrenharia no meio da grande mitologia desse povo: o panteão de deuses cananeus. Mas quem eram essas divindades? As melhores pistas a esse respeito vêm de Ugarit, uma antiga cidade encontrada durante escavações arqueológicas na atual Síria. Ela foi destruída por invasores em 1200 a.C., quando os israelitas ainda eram um povo em formação. As inscrições encontradas ali, então, servem como uma cápsula do tempo. Revelam o contexto cultural em que nasceu a mitologia israelita, mostra como era a mitologia dos antepassados dos escritores da Bíblia. E os deuses em que eles acreditavam seriam fundamentais para a biografia de Javé. O panteão de Ugarit é bem grandinho, mas algumas figuras se destacam. Há o pai dos deuses e dos homens, o idoso, bondoso e barbudo El; sua esposa, Asherah, deusa da vegetação e da fertilidade; a filha dos dois, Anat, feroz deusa do amor; e o filho adotivo do casal, Baal, deus da guerra e da tempestade que morre, ressuscita e derrota as divindades malignas Yamm (o Mar) e Mot (a Morte).

Muitos estudiosos especulam que as tribos is-raelitas originalmente tinham El como seu
deus supremo. Afinal, o nome do povo bíblico também termina com o elemento -el. "Esse tipo de nome próprio, conhecido como teofórico (‘portador de um deus’, em grego), costuma dar pistas sobre o ente divino que o dono do nome venera", diz Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Mas os indícios a respeito de El vão além da nomenclatura. O
deus cananeu também tem uma relação especial com os chefes de clãs, prometendo-lhes uma vasta descendência - exatamente o que Deus faria depois na Bíblia ao selar uma aliança com os ancestrais dos israelitas, Abraão, Isaac e Jacó. "El é o deus desses patriarcas", diz Christine Hayes, professora de estudos judaicos de Yale.
Deus do deserto
Javé pode ter sido uma divindade trazida do deserto por nômades que se embrenharam nas tribos is-raelitas, quando elas ainda estavam em formação na região de Canaã. Aí ele se junta aos deuses cananeus, como Baal e El, o altíssimo.

Adulto
"Israel é a minha herança", brada o impetuoso deus do deserto. Diante dele, a assembleia dos deuses de Canaã se sente cada vez mais intimidada. E, numa escalada de poder sem precedentes, o guerreiro chega a ser considerado idêntico ao próprio El como criador e governador do mundo. A própria esposa do antigo senhor dos deuses passa às mãos do novato.

Uma ameaça pairava sobre os deuses de Canaã. Era a ambição de Javé. O novo
deus começou a buscar seu lugar entre as antigas divindades cananeias. E teve sucesso. Com sua personalidade forte, foi ganhando espaço dentro da mitologia israelita, tomando o terreno dos deuses criados pelos povos cananeus.

A maior prova disso está em outro texto poético dos mais antigos da
Bíblia, o Salmo 82. Ele nos apresenta o chamado "conselho divino": uma espécie de Câmara dos Deputados dos deuses, na qual eles se reúnem para discutir assuntos importantes - um indício de que o Salmo foi escrito antes do próprio início da Bíblia, que já começa apresentando Javé como Deus único. A ideia, ali, é que El preside o conselho e seus filhos ou subordinados discursam. Lá, Javé aparentemente perde a paciência: "Deus se levanta no conselho divino,/em meio aos deuses ele julga:/"Até quando vocês julgarão injustamente,/sustentando a causa dos injustos? (...) "Eu declaro: embora vocês sejam deuses,/e todos filhos do Altíssimo,/morrerão como qualquer homem". Trocando em miúdos menos rebuscados: "Quem manda aqui sou eu".

É difícil dizer a que período da história israelita corresponde esse momento em que, na imaginação religiosa das pessoas, Javé começou a impor sua vontade perante os deuses cananeus. Talvez o fenômeno tenha a ver com a consolidação de Israel como povo distinto dos demais cananeus: a adoração a uma divindade unicamente israelita pode ter emergido como um elemento-chave nessa consciência "nacionalista" dos ancestrais dos judeus.

Para completar essa nova fase na vida do Senhor, que poderíamos chamar de começo da vida adulta, falta ainda um elemento crucial. Lembre-se do impe-tuoso
deus guerreiro Baal. O que parece ocorrer, segundo Mark Smith e outros especialistas, é que Javé se "baaliza", virando uma mistura de El e Baal, com ligeira predominância do segundo.

As evidências: Javé e Baal estão associados a tempestades, vulcões, fogo e terremoto; ambos são guerreiros invencíveis que habitam o alto de montanhas (Baal vive no lendário monte Zafon, Javé, no Sinai). E a semelhança fica ainda mais detalhada.

Na tradição mitológica de Canaã, quem tinha triunfado contra Yamm, o
deus caótico do mar, era Baal, mas os textos da Bíblia atribuem essa vitória - adivinhe só - a Javé. Mais sugestivo ainda: alguns Salmos parecem ter sido originalmente hinos a Baal que acabaram adaptados para o culto ao Senhor dos israelitas. Só que Javé vai muito além das intervenções típicas de Baal no mundo. Na mitologia israelita, sua grande vitória não é contra o mar, mas, sim, usando o mar como arma contra o faraó que tinha escravizado o povo hebreu no Egito. Escolhendo o profeta Moisés como seu emissário, conforme conta o livro bíblico do Êxodo, o novo deus guerreiro puniu os egípcios com uma sucessão de pragas e, como grand finale, destruiu "carros de guerra e cavaleiros" do faraó afundando-os no mar.

A diferença em relação a Baal é que o Senhor seria capaz de agir não só num passado mítico mas na própria história dos israelitas. Ele é literalmente "o Senhor dos Exércitos de Israel", aquele que promete a vitória em batalha em troca da fidelidade religiosa do povo. Daí em diante,
Deus nunca deixa de ser, em grande medida, um guerreiro.

Além de herdar o trono de El na mitologia israelita, Javé também pode ter levado Asherah, a mulher do velho
deus. Eis aí uma possibilidade para a qual a Bíblia não prepara seus leitores. Os profetas bíblicos vivem chiando contra o fato de que os israelitas estariam se "prostituindo" (metaforicamente, e talvez literalmente também, via orgias rituais) nos altares de Asherah. Mas inscrições achadas ao longo do século 20, como as de Kuntillet Ajrud, um pit stop de caravanas no deserto do Sinai, poderiam indicar que o deus e a deusa não eram inimigos, e sim um casal.

As inscrições, datadas em torno do ano 800 a.C., dizem coisas como "a bênção para ti por Javé de Teiman e sua Asherah". Seja como for, mesmo se o casamento ainda existisse, Javé logo optaria por um divórcio - daqueles litigiosos, barra-pesada, nos quais o pai joga os filhos contra a mãe.
Casal maior
Inscrições do do século 9 a.C. dão a entender que Javé tinha se casado com Asherah, a maior divindade feminina de Canaã. Era uma interpretação israelita da mitologia da região: o deus daquele povo tomava para si a esposa de El.

Homem feito
A última resistência da antiga assembleia divina parte de Baal. Sem pestanejar, Javé o elimina. Asherah tem o mesmo destino trágico. Daqui por diante ele estará sozinho nos céus. E alcança a serenidade. Hora de fazer as pazes com a humanidade. E um sacrifício.

Seu grande momento estava chegando. Era a hora da virada para Javé. Ele deixaria de ser mais um deus. E viraria o Único. No mundo real, esse momento teve data: foi a reforma religiosa introduzida por Josias (649 - 609 a.C.), rei de Judá. Antes, porém, um interlúdio político.

Àquela altura, a nação das tribos israelitas de Canaã tinha sido dividida em dois reinos. Um ao norte, o de Israel, e um ao sul, o de Judá. E o de cima havia sido derrotado e conquistado pelo Império Assírio.

Josias não queria o mesmo destino. E parte de seus esforços para fortalecer a unidade interna de Judá e resistir aos invasores foi uma maior centralização da vida religiosa do reino. Para isso, ele começou a transformar Javé no único deus adorado por seus súditos. Por decreto: destruindo altares a outras divindades, como El, Baal... E Asherah. Esse foi o divórcio.

Também é possível que date do reinado de Josias o ataque final dos fiéis de Javé ao culto a Baal, muito criticado pelos profetas dessa época. Para a maior parte dos israelitas, não era problema adorar a Javé e a Baal ao mesmo tempo. É que outra especialidade do antigo deus cananeu era a agricultura - ele mandava chuva para regar as colheitas. Até então, embora Javé tivesse tomado conta das funções guerreiras de Baal, nada indicava que ele também pudesse bancar o regador de plantas. Mas os profetas israelitas passam, então, a afirmar que o mandachuva era ele.

Essa expulsão definitiva de Baal do panteão explica o episódio do bezerro de ouro durante a passagem dos israelitas pelo deserto. Para quem não se lembra: o povo de Deus, cansado de esperar que Moisés volte do monte Sinai, constrói uma estátua de ouro de um bezerro (emblema de Baal). Tanto Moisés quanto Javé ficam enfurecidos, e milhares de israelitas morrem como punição pela infidelidade do povo.

As ideias de Josias marcariam para sempre a visão que temos de Deus. E mais ainda depois que esse rei acabou morto. Na geração dos filhos do monarca reformista, o reino de Judá seria riscado do mapa e Jerusalém, a capital, acabaria conquistada pela Babilônia. Mas a adversidade do povo teve o efeito oposto em sua fé. No mundo mitológico, Javé se fortalecia como nunca. Com a nação agora indefesa militarmente, era a hora de reafirmar que o deus da nação, ao menos, era todo-poderoso. Nisso os profetas israelistas diziam que só Javé tinha existência, vida e poder; os outros deuses eram meras imagens de pedra, metal ou madeira. Era nada menos que a inauguração do monoteísmo: um momento tão importante na história da espiritualidade quanto a adoção do cristianismo como religião oficial do Império Romano seria bem mais tarde. E era esse Javé único que iria para a Bíblia. E se tornaria a imagem de Deus no mundo ocidental.

Um Deus, agora, não só dos israelitas. Mas da humanidade inteira. O Deus que criou o mundo, que fez o homem à sua imagem e semelhança. E que, de certa forma, era a imagem e semelhança do Javé pré-Bíblia: o Deus guerreiro, militar, que pune com rigidez os erros de seus adoradores. O Velho Testamento está recheado de castigos divinos: dos mais leves, como transformar o fiel Jó, um milionário, em um mendigo, como um teste para sua fé, até o dilúvio universal - praticamente um restart no mundo depois de ter concluído que a humanidade não tinha mais jeito. A justificativa para tal comportamento está na própria história de Israel. A ideia era acreditar que os maus bocados pelos quais a nação passou nas mãos de assírios e babilônios eram provações divinas, que, se o povo mantivesse sua fé, tudo acabaria bem.

Mas Deus surge na Bíblia como algo mais complexo que um mero feitor. Usando os paralelos deste texto, seria como se Ele tivesse amadurecido depois que Josias e os profetas o aclamam Deus único. Javé fica menos humano, menos falível. Passa a ser uma entidade transcendental de fato. Começa a afirmar aos seres humanos que "os meus caminhos não são os seus caminhos" - a ideia hoje familiar de que Deus escreve certo por linhas tortas.

Mas o caráter divino só se completaria mesmo no século 1. O primeiro século depois de seu filho, quando o Novo Testamento foi escrito. É a metamorfose mais radical do guerreiro Javé. Encarnado na figura de Jesus, Deus apresenta uma nova solução para a humanidade. Em vez de castigar ou destruir os homens mais uma vez, decide purgar os pecados dos mortais com outro sacrifício: o Dele próprio. Morre o corpo do Deus encarnado, não o espírito divino. Este, agora mais sereno, continuou zelando por nós. E assim será. Até o fim dos tempos. E acaba assim a nossa história, certo?

Claro que não. A saga de Javé é só um dos reflexos de uma epopeia maior: a da humanidade buscando um sentido para a existência. Nesse aspecto, continuamos tão perdidos quanto os antigos que não sabiam por que o trovão trovejava ou o que as estrelas faziam pregadas no céu. Ainda não sabemos por que estamos aqui. E a única certeza é que vamos continuar buscando respostas. Seja o que Deus quiser.
Único
Javé chega ao auge conhecendo cada detalhe do passado e do futuro. Sua figura lembra El. Mas agora Ele está só.