sábado, 28 de janeiro de 2012

                                                 ESCATOLOGIA APOCALIPTICA
DEVE-SE TER EM MENTE QUE EXISTEM DIFERENTES TIPOS DE ESCATOLOGIA APOCALIPTICA.
-TODOS OS APOCALIPSES NO ENTANTO, ENVOLVEM UMA ESCATOLOGIA TRANSCEDENTES, QUE VASA A RETRIBUIÇÃO ALÉM DAS FRONTEIRAS DA HÍSTORIA. EM ALGUNS CASOS, ( III BARUQUE, APOCALIPSE DE SOFONIA) ISSO ASSUME A FORMA DE JULGAMENTO DOS INDIVIDUOS APÓS A MORTE, SEM REFERENCIAS, AO FINAL DA HISTÓRIA.
- O GÊNERO NÃO É CONSTITUIDO POR UM OU MAIS TEMAS DISTINTIVO DE ELEMENTOS, TODOS OS QUAIS SE ENCONTRAM TAMBÉM EM OUTROS LOCAIS.
- EXISTEM ESCATOLOGIAS APOCALIPTICAS, FORA DOS APOCALIPSE, POR EXEMPLO, NOS EVANGELHOS E NAS EPISTOLAS PAULINAS.
- É NECESSÁRIO ANALIZAR COM CUIDADO A EXISTÊNCIA DE AFINIDADES ENTRE AS ALUSÕES, ESCATOLÓGICAS E OS CENÁRIOS QUE SÃO ENCONTRADOS  DE MANEIRA ELABORADA NOS APOCALIPSE.
                                                       APOCALIPTICISMO
1- EXPECTATIVA URGENTE DO FIM DAS CONDIÇOES TERRENAS EM UM FUTURO IMEDIATO.
2- O FINAL COMO UMA CATÁSTROFE CÓSMICA.
3- PERIODIZAÇÃO E DETERMINISMO.
4- ATIVIDADE DE ANJOS E DEMÔNIOS,
5- NOVA SALVAÇÃO DE CARACTER PARADISÍACO.
6- MANISFESTAÇÃO DO REINO DE DEUS,
7- UM MEDIADOR COM FUNÇÕES REAIS,
8- A PALAVRA GUIA "GLÓRIA".
- ALGUNS DOS LIVROS SÃO CONVENCIONALMENTE, CONSIDERADOS APOCALIPSE SÃO DISTITUIDO DE APOCALIPTICISMOPARA TODOS OS PRÓPRIOS PRÁTICOS [....] APOCALIPSEES VERDADEIRAMENTE APOCALIPTICOS SÃO A ESCEÇÃO EM VOZ DA REGRA.
MESMO QUE O APOCALIPTICISMO SEJA UM MOVIMENTO OU SE REFIRA AO UNIVERSO SIMBOLISMO NO QUAL O MOVIMENTO APOCALIPTICO CONDIFICA A SUA INDENTIDADE E INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE, NÃO É SIMPLESMENTE INDÊNTICO AO CONTEÚDO DOS APOCALIPSES.
APOCALIPTICISMO = MOVIMENTO
APOCALIPTICO = COMUNIDADE
1 LUGAR= O APOCALIPSE DE JOÃO ELE É LITERATURA APOCALIPTICA DO CRISTIANISMO PRIMITIVO AS SETE (7) IGREJAS.
JOÃO - PROFETA- VIDENTE.
FOI ELE O INTERLOCUTOR DOS PRESSÁGIOS, VISÕES DELIBERADAMENTE USA O GÊMERO APOCALISE OU SEJA A LINGUAGEM APOCALIPTICA PARA SE DIRIGIR A COMUNIDADE CRISTÃ.
NESSA ÉPOCA OS ARQUES INIMIGOS DE DEUS, ERAM DOIS, A SABER:
- O IMPÉRIO ROMANO
- O IMERADOR- DO GR. KYRIOS= SENHOR.
O CASO DOS (7) SETE SÃO REPETIÇÕES EX: É O SONHO DE FARAÓ QUE JOSÉ INTERPRETOU, SEGUNDO ALGUNS ESTUDIOSOS, MAS NÃO SÃO POR QUE SÃO HISTÓRIA.
FICAMOS POR AQUI, BREVE POSTAREI A CONTINUAÇÃO DOS ASSUNTOS, QUE PRETENDO DEIXAR PARA VOCÊS...ABRAÇO. ALAOR COUTINHO ( SEMINARISTA)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A DECADÊNCIA DA TELEVISÃO BRASILEIRA. POR ALAOR COUTINHO ( SEMINARÍSTA)


A DECADÊNCIA DA TELEVISÃO BRASILEIRA.

ATÉ  QUE PONTO PODE-SE CHEGAR AO CUMULO DA TELEVISÃO  BRASILEIRA? SABEMOS QUE A TELEVISÃO, FOI UM DOS MAIRES MEIOS DE COMUNICAÇÃO CRIADO NO PASSADO, MAS O QUE ESSE MEIO DE COMUNICAÇÃO TEM FEITO, AOS NOSSOS TELESPTADORES DE MODO GERAL? VEMOS ATRAVÉS DESSE MEIO DE COMUNICAÇÃO, COISAS IMPORTANTES PARA NOSSAS VIDAS NO NOSSO DIA- A DIA, PORÉM VEMOS TAMBÉM, COISAS QUE ESTRAPOLA OS LIMITES DAQUILO, QUE O CONSIDERAMOS COMO CUMULO. RECENTEMENTE VÍ EM UMA EMISSORA, MUITO CONHECIDA DE TODOS, O QUE E COMO UMA EMISSSORA DE TELEVISÃO TEM O PODER DE DOMINAR AS MENTES DE SEUS TELESPTADORES, ATRAVÉS DA MÍDIA, EM UM PROGRAMA MUITO,  BEM COMENTADO, POR TODOS PRINCIPALMENTE NA CLASSE JOVEM, CHAMADO DE BIG BROTHER EU PUDE OBESERVAR, O QUANTO É PODEROSA ESSA ARMA CHAMADA "MÍDIA". TALVEZ VOCÊ  QUE POSSA ESTA LENDO, MINHA POSTAGEM POSSA ESTA SE PERGUNTANDO ONDE EU QUEIRO CHEGAR COM ISSO E O QUE EU QUERO PASSAR COM ISSO, POIS BEM EU NÃO SOU UM  TELESPETADOR, DO BIG BROTHER E NÃO PERCO MEU PRECIOSO TEMPO EM VE-LO, PORÉM PUDE LER EM UM JORNAL E VER, NA INTERNET, COMO O RACISMO, AINDA PREDOMINA NÃO SOMENTE NO NOSSO PAÍS PORÉM NO MUNDO.PUDE LER QUE UM CERTO PARTICIPANTE, FOI ACUSADO DE TER ESTRUPADO UMA MOÇA, DA QUAL PARTICIPA DO MESMO RIALIT SHOW, ONDE A MESMA O ACUSOU DE TE-LA ESTRUPADA APÓS ELA TER INGERIDO UMA CERTA DOSE DE BEBIDAS ALCÓLICAS, E O MESMO LOGO FOI TIRADO DO JOGO, ONTEM  NO COMEÇO DO PROGRAMA SEGUNDO A FALA DE SEU APRESENTADOR, PEDRO BIAL ELA ESSA MESMA MOÇA JA MUDOU SUA VERSÃO. O QUE NÓS PODEMOS ENTENDER COM ISSO? VAMOS FALAR NO POPULAR, ELA FOI OU NAO ESTRUPADA? ELA DEU OU NAO DEU PRO CARA DE LIVRE E ESPONTANEA VONTADE? A VERDADE É QUE OS RIALIT SHOWS, TEM DE UMA CERTA FORMA, DOMINANDO, A VIDA, A MANEIRA DE PENSAR E ETC DE SEUS TELESPTADORES, ISSO NÃO TEMOS DUVIDAS, POIS SABEMOS QUE LÁ GANHA QUEM ELES QUEREM E NÃO QUEM NÓS QUEREMOS, BESTAS SÃO OS QUE ACHA QUE SÓ GANHAM QUEM ELES VOTAM.SEM FALAR QUE ESSES PROGRAMAS TEM MANCHADO, NOSSA SOCIEDADES, ESSES PROGRAMAS TEM MUDADO, A MANEIRA DE PENSAR DE MUITAS PESSOAS, ATRAVÉS DESSES PROGRMAS, SÃO IMPLATADOS O HOMOSEXUALISMO, COMO UMA COISA NORMAL, TEM IMPLANTADO TRAIÇÃO COMO UMA COISA NORMAL, O RAÇISMO COMO UMA COISA NORMAL, JÁ SE FAZ ANOS E TODOS NÓS SABEMOS QUE, A ESCRAVIDÃO, NO NOSSO PAÍS FOI ABOLIDA E GRAÇA A DEUS POR ISSO, SE NÃO O QUE SERIA DE MIM E MUITOS OUTROS? MAS A TELEVISÃO E OUTROS MEIOS DE COMUNICAÇÃO TEM-NOS FEITO ESCRAVOS, DE SUAS APRESENTAÇÕES E ASSIM NOS ESCRAVIZANDO, NO SEU "MUNDO" DE FANTASIAS, QUE NO FUNDO  ESTÁ JOGANDO NOSSA SOCIEDADE NA LAMA, NO LIXO, E ESTA CADA DIA MAIS, LEVANDO MILHÕES E MILHÕES, DE PESSOAS SEJA, NOVOS, VELHOS E  DE TODAS AS CLASSES. ESTAMOS PASSANDO DA HORA DE REVER NOSSOS, CONCEITOS, EU AINDA NÃO SOU PAI, MAS SEI QUE SEREI UM DIA, E O QUE VOCÊ QUE É PAI, TEM FEITO PARA ATRAIR A ATENÇÃO DE SEUS FILHOS AO INVÉS DE DEIXA-LOS VELOS UMAS PORCARIAS COMO ESSAS? PRA MIM QUEM PERDE SEU PRECIOSO TEMPO VENDO BIG BROTHER E OUTROS TIPOS DE RIALIT SHOWS QUE TEM POR AE, ESTA, JOGANDO SEU TEMPO FORA E A INFÂNCIA DE SEUS FILHOS NA LATA DO LIXO, NO VASO E DANDO DESCARGA. NÃO SOU CONTRA A NENHUM MEIO DE COMUNICAÇÃO, MUITO PELO CONTRÁRIO, ACHO ELES MARAVILHOSOS, MAS VAMOS APRENDER DOMINÁ-LOS, ANTES QUE ELES NOS DOMINEM, COMO JÁ TEM DOMINADOS A MUITOS. [Image]É ISSO AE VIVA A NOSSA INGNORÂNCIA!!!!!! É ISSO QUE OS RIALIALTS SHOWS TEM FEITO COM NOSSA, SOCIEDADE, ESTRUPANDO-A, INFELIZMENTE O POVO BRASILEIRO, TEM DEIXADO ISSO ADENTRAR NOS SEUS LARES. QUE POSSAMOS, A PARTIR DE HOJE, PARAR-MOS DE SER ESTRUPADOS, PELA MÍDIA QUE TODOS OS DIAS, NOS ESTRUPA, COM SUAS ORGIAS AUDIO-VISUAIS.FIQUEM COM DEUS E VAMOS APRENDER, A SEREM MAIS PESQUISADORES, DO QUE SIMPLESMENTE, OUVIDORES, OUVIR É BOM? SIM CLARO MAS PESQUISAR, O QUE ESTAMOS OUVINDO ANTES DE INGERIR É MELHOR AINDA.ABRAÇOS A TODOS VOCÊS!!!!!!! ALAOR COUTINHO ( SEMINARISTA)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

DEUS UMA BIOGRAFIA

SEGUNDA-FEIRA 05 DE DEZEMBO DE 2011DEUS- UMA BIOGRAFIA

Deus - Uma biografia

Pesquisadores revelam que Javé, o grande personagem da Bíblia, não foi visto sempre como Deus único. Antes do Livro Sagrado, ele era só mais um entre muitas divindades. Saiba como Deus conquistou seu espaço no céu. E na Terra 

por: Alaor coutnho, gomes 

Cada sociedade vê a figura do Criador à sua maneira. Cada indivíduo, até. Para Einstein, Ele era as leis que governam o tempo e o espaço - a natureza em sua acepção mais profunda. Para os ateus, Deus é uma ilusão. Para o papa Bento 16, é o amor, a caridade. "Quem ama habita Deus; ao mesmo tempo, Deus habita quem ama", escreveu em sua primeira encíclica.

Pontos de vista à parte, toda cultura humana já teve seu
Deus. Seus deuses, na maioria dos casos: seres divinos que interagiam entre si em mitologias de enredo farto, recheadas de brigas, lágrimas, reconciliações. Os deuses eram humanos.

Mas isso mudou. A imagem divina que se consolidou é bem diferente.
Deus ganhou letra maiúscula na cultura ocidental. Os panteões divinos acabaram. Deus tornou-se único. É o Deus da Bíblia, Javé, o criador da luz e da humanidade. O pai de Jesus. Essa concepção, que hoje parece eterna, de tanto que a conhecemos, não nasceu pronta. Ela é fruto de fatos históricos que aconteceram antes de a Bíblia ter sido escrita. O próprio Javé já foi uma divindade entre muitas. Fez parte de um panteão do qual não era nem o chefe. O fato de ele ter se tornado o Deus supremo, então, é marcante: se fosse entre os deuses gregos, seria como se uma divindade de baixo escalão, como o Cupido, tivesse ascendido a uma posição maior que a de Zeus É essa história que vamos contar aqui. A história de Javé, a figura que começou como um pequeno deus do deserto e depois moldaria a forma como cada um de nós entende a ideia de Deus, não importando quem ou o que Deus seja para você.

Criança
No princípio, Ele não sabia falar. Só chorava, grunhia e balbuciava. Deus era uma criança. Uma não, muitas: um deus era a chuva, outro deus, o Sol, mais outro, o trovão... Os deuses eram as forças por trás de uma natureza inexplicável para os primeiros humanos da Terra. Facetas de divindades borbulhavam em cachoeiras, galopavam com os cavalos selvagens, voavam com o vento, escondiam-se em cada rochedo, bosque ou duna do deserto. E do deserto veio a que daria origem ao Deus para valer.

Deuses nasceram do pôquer. A crença em divindades provavelmente vem da capacidade humana de detectar as intenções das outras pessoas. Somos muito bons nisso desde que surgimos, há 200 mil anos, e precisamos ser mesmo, porque o Homo sapiens sempre levou a vida social mais complicada do reino animal, sempre em comunidades cheias de intrigas, fingimentos, traições. Saber o que se passa na cabeça do outro era questão de sobrevivência - e até certo ponto ainda é.

E a melhor maneira de tentar se antecipar a um adversário nos jogos mentais do dia a dia é imaginar as intenções dele: "O que será que ele pensa que eu estou pensando?" Nosso cérebro é uma máquina de pôquer.

Pesquisadores como o antropólogo francês Pascal Boyer defendem que esse sistema de detecção de intenções pode acabar aplicado a coisas que não têm intenções de nenhum tipo - como a chuva, ou o Sol. A ideia de que há espíritos de toda sorte da natureza seria, assim, um efeito colateral do nosso sistema de detecção de mentes, tão hiperativo.

Por esse ponto de vista, a espiritualidade faz parte dos nossos instintos. É quase tão natural acreditar em divindades quanto comer ou dormir.

Cada fenômeno da natureza, então, representava as intenções de alguma divindade. É como ainda acontece nas tribos de caçadores-coletores de hoje. Entre os índios tupis, os trovões são a raiva do
deus Tupã. E fim de papo.

Obras de arte de mais de 30 mil anos atrás dão outra pista sobre essa espiri-tualidade primitiva - que podemos chamar de "infância de
Deus" (no caso, dos deuses). Elas mostram seres que misturam características humanas e animais - sujeitos com cabeça de leão ou de rena e corpo de gente, por exemplo.

Acredita-se que essas criaturas híbridas representem um tipo de crença que ainda é comum nas tribos indígenas: a de que não haveria separação rígida entre o mundo dos humanos, o dos animais e o dos espíritos. Seria possível transitar entre essas esferas se você possuísse o conhecimento correto, e, em tese, qualquer falecido, seja pessoa, seja bicho, pode ter um papel parecido com o que associamos normalmente a um
deus.

Os deuses abandonam de vez as feições animais quando os bichos se tornam menos importantes no nosso cotidiano. Foi precisamente o que aconteceu quando a agricultura foi criada, há 10 mil anos, no Oriente Médio. Graças a ela, montamos as primeiras cidades. E a nossa espiritualidade progrediria junto: acabaria bem mais centrada nas pessoas que na natureza selvagem.

Há sinais de que ancestrais mortos eram as grandes entidades com status divino nessas primeiras cidades. Um exemplo arqueológico vem de escavações em Jericó, uma das mais antigas aglomerações humanas, que hoje fica no território palestino da Cisjordânia. Os habitantes de Jericó enterravam o corpo de seus mortos, mas guardavam o crânio, que era recoberto com camadas de gesso e tinta, simulando o rosto humano. Assim preparada, a caveira talvez servisse de oráculo doméstico - uma espécie de
deus particular para cada família.

Os artesãos de crânios de Jericó não tinham escrita - aliás, passariam mais de 5 mil anos até que essa tecnologia fosse inventada. Quando isso finalmente aconteceu, em torno do ano 2000 a.C., os
deus ficaram bem mais sofisticados.

Entraram em cena criaturas ao estilo dos habitantes do Olimpo na mitologia grega. Em parte, alguns deles até eram mesmo personificações das forças da natureza, mas agora eles ganhavam personalidades e biografias complexas.

É aí que está a origem do grande personagem desta história: Javé, uma divindade que provavelmente começou como um
deus menor, cultuado por nômades. Bem antes de a Bíblia ser escrita.

Cabeça de leão
Estátuas e pinturas de povos caçadores, que viviam nas cavernas da Europa há 30 mil anos, mostram figuras que misturam formas de homens e de animais. Tudo indica que esses foram os primeiros deuses a habitar a mente humana.

Jovem
O rapaz era uma divindade dos desertos do sul. Junto com seus poucos súditos, chegaria à pulsante Canãa, domínio do deus El, o altíssimo. Ao lado do soberano, a mãe de divindades e homens, Asherah, senhora de tudo o que é fértil, e seu sucessor, Baal, o deus que dava chuvas àquelas paisagens àridas. Tudo na santa paz. Eles só não imaginavam que Javé tramava a destruição deles.

Ele começou de baixo. Era só mais um
deus entre vários outros de sua região. Só que na Bíblia Javé é identificado como o Deus único. Hoje, cogitar a existência de outras divindades que teriam convivido com o Senhor da Bíblia é um absurdo do ponto de vista religioso. Mas não do ponto de vista científico. Pesquisadores de várias áreas - arqueólogos, linguistas, teólogos - estão encontrando pistas sobre uma provável "vida pregressa" de Javé. Uma vida mitológica que ele teve antes de seu nome ir parar na Bíblia como o da entidade que criou tudo.

Onde pesquisar isso? A própria
Bíblia é uma fonte. O Livro Sagrado não foi feito de uma vez. Trata-se de uma coleção de textos escritos ao longo de séculos. O Pentateuco, os 5 primeiros livros da Bíblia, foi finalizado por volta de 550 a.C. Mas há textos ali de 1000 a.C., ou de antes. E nada disso foi editado em ordem cronológica - em grande parte, a Bíblia é uma junção de textos independentes, cada um escrito em tempos e realidades diferentes.

Como saber a que tempo e a que realidade cada um pertence? Pela linguagem. Pesquisadores analisam as expressões do texto original, em hebraico, e vão comparando com a de documentos encontrados em escavações arqueológicas, cuja datação é fácil de determinar. Com esse método, chegaram a uma descoberta reveladora. Alguns poemas da
Bíblia dão a entender que Javé era uma divindade de lugares chamados Teiman ou Paran - dizendo literalmente que o deus veio dessas regiões. E esses textos estão justamente entre os mais antigos - se a língua do livro fosse o português moderno, eles estariam mais para Camões.

Teiman e Paran eram lugares desérticos fora das fronteiras onde viviam os homens que escreveram a
Bíblia. Não se sabe exatamente que regiões eram essas, já que os nomes dos territórios vão mudando ao longo dos séculos. "Mas arqueólogos supõem que essa região seja no noroeste da atual Arábia Saudita", diz Mark Smith, professor de estudos bíblicos da Universidade de Nova York. E isso diz muito.

Os autores dos primeiros textos da
Bíblia viviam na antiga Canaã - uma região do Oriente Médio onde hoje estão Israel, os territórios palestinos e partes da Síria e do Líbano. Ali se formaram algumas das primeiras civilizações da história, há 10 mil anos. E por volta de 1000 a.C. já era um território disputado (como nunca deixou de ser, por sinal). Estava dividido numa miríade de tribos, as dos israelitas, a dos hititas, a dos jebedeus...

Apesar das rivalidades, todas tinham culturas parecidas. Reverenciavam o mesmo panteão de deuses, por exemplo. Mas Javé, pelo jeito, não era um deles. Teria sido importado das áreas mais desérticas do sul.

Outra evidência disso é a associação de seu nome com os chamados shasu. Shasu é um termo egípcio que significa "nômade" ou "beduíno". Algumas inscrições egípcias mencionam um "Javé dos Shasu".

Uma possibilidade, então, é que nômades do deserto teriam se incorporado às tribos israelitas, trazendo o novo
deus com eles. Essa divindade se embrenharia no meio da grande mitologia desse povo: o panteão de deuses cananeus. Mas quem eram essas divindades? As melhores pistas a esse respeito vêm de Ugarit, uma antiga cidade encontrada durante escavações arqueológicas na atual Síria. Ela foi destruída por invasores em 1200 a.C., quando os israelitas ainda eram um povo em formação. As inscrições encontradas ali, então, servem como uma cápsula do tempo. Revelam o contexto cultural em que nasceu a mitologia israelita, mostra como era a mitologia dos antepassados dos escritores da Bíblia. E os deuses em que eles acreditavam seriam fundamentais para a biografia de Javé. O panteão de Ugarit é bem grandinho, mas algumas figuras se destacam. Há o pai dos deuses e dos homens, o idoso, bondoso e barbudo El; sua esposa, Asherah, deusa da vegetação e da fertilidade; a filha dos dois, Anat, feroz deusa do amor; e o filho adotivo do casal, Baal, deus da guerra e da tempestade que morre, ressuscita e derrota as divindades malignas Yamm (o Mar) e Mot (a Morte).

Muitos estudiosos especulam que as tribos is-raelitas originalmente tinham El como seu
deus supremo. Afinal, o nome do povo bíblico também termina com o elemento -el. "Esse tipo de nome próprio, conhecido como teofórico (‘portador de um deus’, em grego), costuma dar pistas sobre o ente divino que o dono do nome venera", diz Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Mas os indícios a respeito de El vão além da nomenclatura. O
deus cananeu também tem uma relação especial com os chefes de clãs, prometendo-lhes uma vasta descendência - exatamente o que Deus faria depois na Bíblia ao selar uma aliança com os ancestrais dos israelitas, Abraão, Isaac e Jacó. "El é o deus desses patriarcas", diz Christine Hayes, professora de estudos judaicos de Yale.
Deus do deserto
Javé pode ter sido uma divindade trazida do deserto por nômades que se embrenharam nas tribos is-raelitas, quando elas ainda estavam em formação na região de Canaã. Aí ele se junta aos deuses cananeus, como Baal e El, o altíssimo.

Adulto
"Israel é a minha herança", brada o impetuoso deus do deserto. Diante dele, a assembleia dos deuses de Canaã se sente cada vez mais intimidada. E, numa escalada de poder sem precedentes, o guerreiro chega a ser considerado idêntico ao próprio El como criador e governador do mundo. A própria esposa do antigo senhor dos deuses passa às mãos do novato.

Uma ameaça pairava sobre os deuses de Canaã. Era a ambição de Javé. O novo
deus começou a buscar seu lugar entre as antigas divindades cananeias. E teve sucesso. Com sua personalidade forte, foi ganhando espaço dentro da mitologia israelita, tomando o terreno dos deuses criados pelos povos cananeus.

A maior prova disso está em outro texto poético dos mais antigos da
Bíblia, o Salmo 82. Ele nos apresenta o chamado "conselho divino": uma espécie de Câmara dos Deputados dos deuses, na qual eles se reúnem para discutir assuntos importantes - um indício de que o Salmo foi escrito antes do próprio início da Bíblia, que já começa apresentando Javé como Deus único. A ideia, ali, é que El preside o conselho e seus filhos ou subordinados discursam. Lá, Javé aparentemente perde a paciência: "Deus se levanta no conselho divino,/em meio aos deuses ele julga:/"Até quando vocês julgarão injustamente,/sustentando a causa dos injustos? (...) "Eu declaro: embora vocês sejam deuses,/e todos filhos do Altíssimo,/morrerão como qualquer homem". Trocando em miúdos menos rebuscados: "Quem manda aqui sou eu".

É difícil dizer a que período da história israelita corresponde esse momento em que, na imaginação religiosa das pessoas, Javé começou a impor sua vontade perante os deuses cananeus. Talvez o fenômeno tenha a ver com a consolidação de Israel como povo distinto dos demais cananeus: a adoração a uma divindade unicamente israelita pode ter emergido como um elemento-chave nessa consciência "nacionalista" dos ancestrais dos judeus.

Para completar essa nova fase na vida do Senhor, que poderíamos chamar de começo da vida adulta, falta ainda um elemento crucial. Lembre-se do impe-tuoso
deus guerreiro Baal. O que parece ocorrer, segundo Mark Smith e outros especialistas, é que Javé se "baaliza", virando uma mistura de El e Baal, com ligeira predominância do segundo.

As evidências: Javé e Baal estão associados a tempestades, vulcões, fogo e terremoto; ambos são guerreiros invencíveis que habitam o alto de montanhas (Baal vive no lendário monte Zafon, Javé, no Sinai). E a semelhança fica ainda mais detalhada.

Na tradição mitológica de Canaã, quem tinha triunfado contra Yamm, o
deus caótico do mar, era Baal, mas os textos da Bíblia atribuem essa vitória - adivinhe só - a Javé. Mais sugestivo ainda: alguns Salmos parecem ter sido originalmente hinos a Baal que acabaram adaptados para o culto ao Senhor dos israelitas. Só que Javé vai muito além das intervenções típicas de Baal no mundo. Na mitologia israelita, sua grande vitória não é contra o mar, mas, sim, usando o mar como arma contra o faraó que tinha escravizado o povo hebreu no Egito. Escolhendo o profeta Moisés como seu emissário, conforme conta o livro bíblico do Êxodo, o novo deus guerreiro puniu os egípcios com uma sucessão de pragas e, como grand finale, destruiu "carros de guerra e cavaleiros" do faraó afundando-os no mar.

A diferença em relação a Baal é que o Senhor seria capaz de agir não só num passado mítico mas na própria história dos israelitas. Ele é literalmente "o Senhor dos Exércitos de Israel", aquele que promete a vitória em batalha em troca da fidelidade religiosa do povo. Daí em diante,
Deus nunca deixa de ser, em grande medida, um guerreiro.

Além de herdar o trono de El na mitologia israelita, Javé também pode ter levado Asherah, a mulher do velho
deus. Eis aí uma possibilidade para a qual a Bíblia não prepara seus leitores. Os profetas bíblicos vivem chiando contra o fato de que os israelitas estariam se "prostituindo" (metaforicamente, e talvez literalmente também, via orgias rituais) nos altares de Asherah. Mas inscrições achadas ao longo do século 20, como as de Kuntillet Ajrud, um pit stop de caravanas no deserto do Sinai, poderiam indicar que o deus e a deusa não eram inimigos, e sim um casal.

As inscrições, datadas em torno do ano 800 a.C., dizem coisas como "a bênção para ti por Javé de Teiman e sua Asherah". Seja como for, mesmo se o casamento ainda existisse, Javé logo optaria por um divórcio - daqueles litigiosos, barra-pesada, nos quais o pai joga os filhos contra a mãe.
Casal maior
Inscrições do do século 9 a.C. dão a entender que Javé tinha se casado com Asherah, a maior divindade feminina de Canaã. Era uma interpretação israelita da mitologia da região: o deus daquele povo tomava para si a esposa de El.

Homem feito
A última resistência da antiga assembleia divina parte de Baal. Sem pestanejar, Javé o elimina. Asherah tem o mesmo destino trágico. Daqui por diante ele estará sozinho nos céus. E alcança a serenidade. Hora de fazer as pazes com a humanidade. E um sacrifício.

Seu grande momento estava chegando. Era a hora da virada para Javé. Ele deixaria de ser mais um deus. E viraria o Único. No mundo real, esse momento teve data: foi a reforma religiosa introduzida por Josias (649 - 609 a.C.), rei de Judá. Antes, porém, um interlúdio político.

Àquela altura, a nação das tribos israelitas de Canaã tinha sido dividida em dois reinos. Um ao norte, o de Israel, e um ao sul, o de Judá. E o de cima havia sido derrotado e conquistado pelo Império Assírio.

Josias não queria o mesmo destino. E parte de seus esforços para fortalecer a unidade interna de Judá e resistir aos invasores foi uma maior centralização da vida religiosa do reino. Para isso, ele começou a transformar Javé no único deus adorado por seus súditos. Por decreto: destruindo altares a outras divindades, como El, Baal... E Asherah. Esse foi o divórcio.

Também é possível que date do reinado de Josias o ataque final dos fiéis de Javé ao culto a Baal, muito criticado pelos profetas dessa época. Para a maior parte dos israelitas, não era problema adorar a Javé e a Baal ao mesmo tempo. É que outra especialidade do antigo deus cananeu era a agricultura - ele mandava chuva para regar as colheitas. Até então, embora Javé tivesse tomado conta das funções guerreiras de Baal, nada indicava que ele também pudesse bancar o regador de plantas. Mas os profetas israelitas passam, então, a afirmar que o mandachuva era ele.

Essa expulsão definitiva de Baal do panteão explica o episódio do bezerro de ouro durante a passagem dos israelitas pelo deserto. Para quem não se lembra: o povo de Deus, cansado de esperar que Moisés volte do monte Sinai, constrói uma estátua de ouro de um bezerro (emblema de Baal). Tanto Moisés quanto Javé ficam enfurecidos, e milhares de israelitas morrem como punição pela infidelidade do povo.

As ideias de Josias marcariam para sempre a visão que temos de Deus. E mais ainda depois que esse rei acabou morto. Na geração dos filhos do monarca reformista, o reino de Judá seria riscado do mapa e Jerusalém, a capital, acabaria conquistada pela Babilônia. Mas a adversidade do povo teve o efeito oposto em sua fé. No mundo mitológico, Javé se fortalecia como nunca. Com a nação agora indefesa militarmente, era a hora de reafirmar que o deus da nação, ao menos, era todo-poderoso. Nisso os profetas israelistas diziam que só Javé tinha existência, vida e poder; os outros deuses eram meras imagens de pedra, metal ou madeira. Era nada menos que a inauguração do monoteísmo: um momento tão importante na história da espiritualidade quanto a adoção do cristianismo como religião oficial do Império Romano seria bem mais tarde. E era esse Javé único que iria para a Bíblia. E se tornaria a imagem de Deus no mundo ocidental.

Um Deus, agora, não só dos israelitas. Mas da humanidade inteira. O Deus que criou o mundo, que fez o homem à sua imagem e semelhança. E que, de certa forma, era a imagem e semelhança do Javé pré-Bíblia: o Deus guerreiro, militar, que pune com rigidez os erros de seus adoradores. O Velho Testamento está recheado de castigos divinos: dos mais leves, como transformar o fiel Jó, um milionário, em um mendigo, como um teste para sua fé, até o dilúvio universal - praticamente um restart no mundo depois de ter concluído que a humanidade não tinha mais jeito. A justificativa para tal comportamento está na própria história de Israel. A ideia era acreditar que os maus bocados pelos quais a nação passou nas mãos de assírios e babilônios eram provações divinas, que, se o povo mantivesse sua fé, tudo acabaria bem.

Mas Deus surge na Bíblia como algo mais complexo que um mero feitor. Usando os paralelos deste texto, seria como se Ele tivesse amadurecido depois que Josias e os profetas o aclamam Deus único. Javé fica menos humano, menos falível. Passa a ser uma entidade transcendental de fato. Começa a afirmar aos seres humanos que "os meus caminhos não são os seus caminhos" - a ideia hoje familiar de que Deus escreve certo por linhas tortas.

Mas o caráter divino só se completaria mesmo no século 1. O primeiro século depois de seu filho, quando o Novo Testamento foi escrito. É a metamorfose mais radical do guerreiro Javé. Encarnado na figura de Jesus, Deus apresenta uma nova solução para a humanidade. Em vez de castigar ou destruir os homens mais uma vez, decide purgar os pecados dos mortais com outro sacrifício: o Dele próprio. Morre o corpo do Deus encarnado, não o espírito divino. Este, agora mais sereno, continuou zelando por nós. E assim será. Até o fim dos tempos. E acaba assim a nossa história, certo?

Claro que não. A saga de Javé é só um dos reflexos de uma epopeia maior: a da humanidade buscando um sentido para a existência. Nesse aspecto, continuamos tão perdidos quanto os antigos que não sabiam por que o trovão trovejava ou o que as estrelas faziam pregadas no céu. Ainda não sabemos por que estamos aqui. E a única certeza é que vamos continuar buscando respostas. Seja o que Deus quiser.
Único
Javé chega ao auge conhecendo cada detalhe do passado e do futuro. Sua figura lembra El. Mas agora Ele está só.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Ensino religioso ou consciência religiosa?

Seria muita apatia de minha parte ignorar a discussão sobre o tema "ensino religioso", em virtude de estar envolvido no contexto educação e religião. Meu descontentamento é sobre o que tem sido veiculado nos noticiários, sobre a lei que regula o ensino religioso no Brasil, colocando o catolicismo como parceiro da aplicação do ensino religioso nas escolas públicas.
Sou plenamente de acordo com a resistência a um absolutismo religioso no Brasil, isso feriria a "democracia", resultado de muita luta. Porém, não foi informado pela mídia o que seria o ensino religioso nas escolas.
Há uma confusão entre religiosidade, proselitismo, apologia e consciência religiosa. O que foi mostrado, em especial pela Rede Record, foi basicamente entrevistas com alunos e um "teólogo" protestante, pessoas que não estão envolvidas diretamente com o planejamento e aplicação do ensino religioso. Em momento algum entrevistaram um cientista da religião, um membro do Coneres, do Cieres ou da comissão de elaboração dos temas aplicados no ensino religioso nas escolas. Não é uma postura socialmente responsável veicular algo sem conhecimento de causa, ou com superficialidade.
É interessante considerar que a proposta do ensino religioso nas escolas públicas não está ligada à pregação, apologia ou arrebanhamento, e sim, à consciência religiosa.
A consciência religiosa está fortemente ligada às tradições, cultura, ethos, responsabilidade, tolerância e respeito. O que se pôde notar foi que há ausência de conhecimentos sobre o papel do ensino religioso nas escolas, tanto por alunos, da imprensa, alguns profissionais da área educacional e juristas.Por onde começar?
Não se pode ignorar que a ausência do ensino religioso nas escolas pode trazer seqüelas sociais gravíssimas à vida social. Quem irá discutir com os alunos problemas relacionados a distúrbios nas relações familiares, pedofilia, associação ao tráfico e uso de drogas, adolescência e gravidez, tolerância religiosa, considerações em relação ao outro e os reflexos das ações praticadas na sociedade? É necessário que haja um indivíduo que tenha formação e competência para administrar esses temas em sala de aula, independente de sua confissão religiosa. As aulas de história, geografia, filosofia e português não devem extrair conteúdos de seus programas para discutir as relações sociais de seus reflexos. É claro que esses temas podem ser transversais, mas em maior consideração são lineares à consciência religiosa.
Quantos índios mais terão que serem queimados nos bancos de pontos do ônibus? Quantos adolescentes mais matarão seus pais a fim de receberem suas heranças antecipadas? Quem discutirá isso no ambiente escolar? Observe a juventude e avalie sua condição comportamental, principalmente os de classes menos abastadas, de quem foi retirada a oportunidade de ter tempo necessário para amadurecimento no convívio com os pais e seus pais que sofreram da mesma condição. É na escola que eles terão a oportunidade de encontrar parâmetros para uma postura social mais responsável.
É por acreditar que esses fatos são por causa de, além de outras influências como a psicológica, falta de referencial e uma máxima que os façam repensarem suas atitudes, antes de sua execução. A iniciativa de se retirar disciplinas de orientação social (neste caso não conta-se a sociologia, pois não é esse o seu objetivo), aquelas que posicionam os indivíduos e os chamam à responsabilidade social, dando-lhes a missão de dar seguimento às posturas responsáveis. Quem paga o preço pela negligência social? Quem é responsável em nortear a sociedade? Quais são os padrões morais? Por onde começar?Debate deve ser amadurecido
A esperança é de que a consciência religiosa estimulada em sala de aula, levando em consideração a multiplicidade religiosa e o aspecto democrático em que vive a sociedade, para assegurar uma estrutura educacional consistente na formação do indivíduo social consciente. A união das linhas de estudo sobre o ser humano, em toda sua dimensão, pode também somar respostas e possíveis orientações a respeito desse tema do comportamento humano. Estudar um meio de aplicação do ensino com caráter de formação de consciência religiosa, humanitário e ético deve ser uma preocupação da dirigência social.
O que o pensamento religioso fez, de bom ou de ruim, mostra que, de alguma forma, influencia socialmente. Fazer uso de seus métodos e selecionar seus conteúdos, independente de suas dogmáticas, a fim de modelar a sociedade, pode levar a uma nova realidade e conduzir a sociedade a uma vida mais humanizada e justa.
A mídia não deve fomentar a retirada do ensino religioso das escolas, com a desculpa de que o catolicismo está querendo se estabelecer. Contra a imposição dogmática e teológica todos devem engajar-se na luta, mas, não se deve ignorar a importância que tem a formação da consciência religiosa construída no ambiente educacional. A mídia deve, com certeza, envolver-se com a causa, mas, deve primeiro amadurecer o debate antes de sua veiculação.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Jesus: pivô de discórdias; aquele que traz à luz o íntimo de cada coração (prédica)


Handall Fabrício Martins 


Mateus 10.34-39:

“— Não pensem que eu vim trazer paz ao mundo. Não vim trazer a paz, mas a espada. Eu vim para pôr os filhos contra os pais, as filhas contra as mães e as noras contra as sogras. E assim os piores inimigos de uma pessoa serão os seus próprios parentes. — Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais do que ama a mim não merece ser meu seguidor. Quem ama o seu filho ou a sua filha mais do que ama a mim não merece ser meu seguidor. Não serve para ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar. Quem procura os seus próprios interesses nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo, porque é meu seguidor, terá a vida verdadeira (NTLH).”
Nesse texto, Jesus diz, de forma bastante contundente, que não veio trazer paz à terra, mas a espada, a contenda, a contradição, a dissensão (distintamente do que ele diz em João 14.27, por exemplo). Para tanto, ele retoma Miqueias 7.5-7, que diz: “Não acreditem nos vizinhos, nem confiem nos amigos. Cada um tome cuidado até com o que diz à sua mulher. Pois hoje em dia os filhos desprezam os pais, as filhas desobedecem às mães, e as noras brigam com as sogras; e os piores inimigos de qualquer pessoa são os próprios parentes. Eu, porém, ponho a minha esperança em Deus, o SENHOR, e confio firmemente que ele me salvará. O meu Deus me atenderá.”
Ora, Jesus mesmo não foi reconhecido pelos da sua terra natal, Nazaré, nem pelos da sua própria família. Ao contrário, ele foi motivo de divisão. Marcos 6.1-4 nos fala: “Tendo Jesus partido dali, foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanharam. Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: Donde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele (JESUS ERA UM LEIGO, E NÃO UM INTÉRPRETE RELIGIOSO AUTORIZADO). Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, senão na sua terra, entre os seus parentes e na sua casa.” Já em Lucas 4.24, ele afirma: “(...) De fato, vos afirmo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra.”
Quando de sua prisão, inclusive, Jesus foi tratado como um salteador, um criminoso, um bandido, levado por homens armados de espadas e porretes. Aliás, Pedro, nessa ocasião, também sacou de uma espada e feriu o servo do sumo sacerdote que estava ali com os homens que prenderam Jesus. Vemos, assim, que, tanto da parte dos discípulos, naquele momento, quanto do lado dos inimigos do Mestre, havia homens armados de espadas, cujo uso revelou o que estava em seus corações. É justamente o que Jesus havia dito poucos versículos acima, em Mateus 10.26: que todo segredo seria conhecido. No caso, também o da traição de Judas, que era do círculo mais chegado do Senhor e o havia trocado por trinta moedas de prata.
Em Atos 12.2, Herodes manda matar Tiago, irmão de João, ao fio da espada. Porém Paulo, em Romanos 8.31-39, rompe efusivamente e, quase em êxtase, movido pelo Espírito Santo, e respondendo à pergunta retórica que ele mesmo faz, diz, no verso 35, que nada, nem mesmo a espada, a morte, pode nos separar do amor de Deus. Louvado seja Deus por isso! Não obstante, o mesmo Paulo, em Efésios 6.17, refere-se à Bíblia, palavra de Deus, como sendo ela mesma a espada do Espírito. Semelhantemente, o escritor da epístola aos Hebreus, no capítulo quarto, verso 12, nos diz que “(...) a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” Ou seja, Jesus trouxe a discórdia – a espada –, de que ele nos fala no texto do Evangelho de hoje (e que pode culminar até na morte, no caso de quem optar por segui-lo até o fim), mas essa discórdia/espada é consequência direta de se aderir ou não ao Evangelho/palavra de Deus/espada.
“JESUS, SUAS PALAVRAS E EXEMPLOS, SÃO MOTIVO DE DISCÓRDIAS, A FIM DE QUE AS VERDADEIRAS INTENÇÕES DO CORAÇÃO, AQUELAS MAIS PROFUNDAS E SECRETAS, SEJAM MANIFESTAS (cf. Lc 2.34-35).”
No verso 37, é preciso antes ter em mente o contexto em que Mateus registrou o seu evangelho. O momento era de profunda rivalidade, intolerância religiosa e perseguição. Os judeus que não creram em Jesus como o Messias esperado marginalizavam, rechaçavam e denunciavam às autoridades religiosas aqueles que entendiam que em Cristo se cumpriam as promessas da Primeira Aliança. Esse quadro terrível acontecia no íntimo das famílias, conforme nos relata o verso 37. E essas situações religiosamente conflitivas não ficavam restritas ao âmbito privado das casas, mas eram levadas ao conhecimento público, dividindo as famílias, tal como Jesus menciona em seu discurso iniciado no versículo 16 do mesmo capítulo décimo de Mateus. E famílias sendo divididas, naqueles dias, eram um prenúncio do final dos tempos, daí a seriedade com que Jesus e Mateus tratam a situação.
Ou seja, o Mestre estava querendo dizer que não importava se algum membro da família de uma pessoa não acreditava que ele, Jesus, era o Cristo. Importava, sim, que cada um tomasse a decisão existencial radical de segui-lo incondicionalmente, com todas as consequências advindas dessa decisão, mesmo que fosse a própria morte (v.38). Senão, vejamos o que Mateus nos diz um pouco acima, em 10.17, 21, 22: “E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; (...) Um irmão entregará à morte outro irmão, e o pai, ao filho; filhos haverá que se levantarão contra os progenitores e os matarão. Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.” Jesus está encorajando os seus discípulos com todas essas palavras.
Não tem nada a ver, portanto, com a interpretação que muitos têm dado a esse texto já há algum tempo, segundo a qual nós não só temos o direito, mas o dever de abandonar nossos familiares, caso isso seja feito em nome do Evangelho. Ora, segundo o próprio texto sob reflexão, o Evangelho pode trazer e traz, sim, conflitos familiares entre os que decidem existencialmente seguir a Jesus e aqueles que o rejeitam. Mas isso não nos autoriza a deixar nossos familiares de lado. Muito ao contrário, nosso amor e paciência para com eles devem ser redobrados. Não obstante, tais conflitos não devem embaraçar nossa carreira cristã. Lembrando do que diz Paulo a Timóteo: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado ae é pior do que o descrente” (1Tm 5.8).
Finalizando (verso 39), Jesus nos adverte que quem está preocupado apenas com seus próprios interesses nunca alcançará a vida verdadeira. Mas quem chega ao ponto de esquecer-se de si mesmo, pelo simples fato de ser discípulo de Jesus, esse alcançará a verdadeira vida. Noutros termos, isso quer dizer buscar o reino de Deus em primeiro lugar, pois Deus cuida de nós. Significa pensar comunitariamente, não egoisticamente. É lembrar que somos membros uns dos outros e que juntos formamos um corpo, o corpo de Cristo, sua Igreja. É como também Paulo, de novo, nos adverte:Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2.4). E isso não vale apenas para nossa vida enquanto comunidade eclesial. Vale também para nós enquanto membros de uma família e de uma sociedade que carece de cidadãos conscientes, responsáveis e politicamente engajados.
Que Deus nos ajude a vencer o egoísmo e o medo que muitas vezes temos de assumir o Evangelho com todas as suas implicações. Amém!

LULA EM PARÍS: IMPRENSA DÁ VEXAME


Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?


Começa assim, acreditem, com esta pergunta indecorosa, a entrevista de Deborah Berlinck, correspondente de "O Globo" em Paris, com Richard Descoings, diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, o Sciences- Po, que entregou o título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula, na tarde desta terça-feira [27/09].


Resposta de Descoings:


"O antigo presidente merecia e, como universitário, era considerado um grande acadêmico (...) O presidente Lula fez uma carreira política de alto nível, que mudou muito o país e, radicalmente, mudou a imagem do Brasil no mundo. O Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula, e ele não tem estudo superior. Isso nos pareceu totalmente em linha com a nossa política atual no Sciences- Po, a de que o mérito pessoal não deve vir somente do diploma universitário. Na França, temos uma sociedade de castas. E o que distingue a casta é o diploma. O presidente Lula demonstrou que é possível ser um bom presidente, sem passar pela universidade".


A entrevista completa de Berlinck com Descoings foi publicada no portal de "O Globo" às 22h56 do dia 27/9. Mas a história completa do vexame que a imprensa nativa sabuja deu estes dias, inconformada por Lula ter sido o primeiro latino-americano a receber este título, que só foi outorgado a 16 personalidades mundiais em 140 anos de história da instituição, foi contada por um jornalista argentino, Martin Granovsky, no jornal Página 12.


Tomei emprestada de Mino Carta a expressão imprensa sabuja porque é a que melhor qualifica o que aconteceu na cobertura do sétimo e mais importante título de Doutor Honoris Causa que Lula recebeu este ano. Sabujo, segundo as definições encontradas no Dicionário Informal, significa servil, bajulador, adulador, baba-ovo, lambe-cu, lambe-botas, capacho.


Sob o título "Escravocratas contra Lula", Granovsky relata o que aconteceu durante uma exposição feita na véspera pelo diretor Richard Descoings para explicar as razões da iniciativa do Science- Po de entregar o título ao ex-presidente brasileiro.


"Naturalmente, para escutar Descoings, foram chamados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático (...). Um dos colegas perguntou se era o caso de se premiar a quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado (...)."


"'Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção', foi a pergunta seguinte. O professor sorriu e disse: 'Veja, Sciences- Po não é a Igreja Católica. Não entra em análises morais, nem tira conclusões apressadas. Deixa para o julgamento da História este assunto e outros muito importantes, como a eletrificação das favelas em todo o Brasil e as políticas sociais (...). Não desculpamos, nem julgamos. Simplesmente, não damos lições de moral a outros países.'"


"Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa de Lula era parte da ação afirmativa do Sciences- Po. Descoings o observou com atenção, antes de responder. 'As elites não são apenas escolares ou sociais', disse. 'Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro-mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas.'"


No final do artigo, o jornalista argentino Martin Granovsky escreve para vergonha dos jornalistas brasileiros:


"Em meio a esta discussão, Lula chegará à França. Convém que saiba que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences- Po, deve pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria exercer o recato. No Brasil, a Casa Grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terra e escravos. Assim, Lula, silêncio por favor. Os da Casa Grande estão irritados".


Desde que Lula passou o cargo de presidente da República para Dilma Rousseff, há nove meses, a nossa grande imprensa tenta jogar um contra o outro e procura detonar a imagem do seu governo, que chegou ao final dos oito anos com índices de aprovação acima de 80%.


Como até agora não conseguiram uma coisa nem outra, tentam apagar Lula do mapa. O melhor exemplo foi dado hoje pelo maior jornal do país, a "Folha de S. Paulo", que não encontrou espaço na sua edição de 74 páginas para publicar uma mísera linha sobre o importante título outorgado a Lula pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris.


Em compensação, encontrou espaço para publicar uma simpática foto de Marina Silva ao lado de Fernando Henrique Cardoso, em importante evento do instituto do mesmo nome, com este texto-legenda:


"AFAGOS - FHC e Marina em debate sobre Código Florestal no instituto do ex-presidente; o tucano creditou ao fascínio que Marina gera o fato de o auditório estar lotado".


Assim como decisões da Justiça, criterios editoriais não se discutem, claro.


Enquanto isso, em Paris, segundo relato publicado no portal de "O Globo" pela correspondente Deborah Berlinck, às 16h37, ficamos sabendo que:


"O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido com festa no Instituto de Estudos Políticos de Paris - o Sciences- Po -, na França, para receber mais um título de doutor honoris causa, nesta terça-feira. Tratado como uma estrela desde sua entrada na instituição, ele foi cercado por estudantes e, aos gritos, foi saudado. Antes de chegar à sala de homenagem, em um corredor, Lula ouviu, dos franceses, a música de Geraldo Vandré, 'para não dizer que eu não falei das flores'."


"A sala do instituto onde ocorreu a cerimônia tinha capacidade para 500 pessoas, mas muitos estudantes ficaram do lado de fora. O diretor da universidade, Richard Descoings, abriu a cerimônia explicando que a escolha do ex-presidente tinha sido feita por unanimidade".


Em seu discurso de agradecimento, Lula disse:


"Embora eu tenha sido o único governante do Brasil que não tinha diploma universitário, já sou o presidente que mais fez universidades na história do Brasil, e isso possivelmente porque eu quisesse que parte dos filhos dos brasileiros tivesse a oportunidade que eu não tive".
Para certos brasileiros, certamente deve ser duro ouvir estas coisas. É melhor nem ficar sabendo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ESSA É A INTOLERÂNCIA DE BUSH OU MELHOR DA FORÇA AMERICANA, EM QUERER DOMINAR TUDO AO SEU REDOR E OUTROS PAÍSES VIZINHOS. COMO SEMPRE OS ESTADOS UNIDOS DEMOSTROU SEMPRE MELHOR QUE OS OUTROS, SERIA DESUMANO DE MINHA PARTE, SE EU FALASSE QUE O ATENTADO DE 11 DE SETEMBRO NÃO FOI O MAIOR MASSACRE CONTRA A VIDA HUMANA, MAS DEVEMOS RECONHECER QUE: ESSE ATENTADO, TAMBÉM FOI COMO UMA LAVAGEM DE ALMA, ALTO ESTIMA LEVANTADA E UMA CICATRIZADA NO ORGULHO QUE ESTAVA A MUITO TEMPO FERIDO, PELA INTOLERANCIA DOS AMERICANOS. COMO DIZ LEONARDO BOFF OS ESTADOS UNIDOS PRECISAM RECONHECER QUE FORAM, OS SEUS PRÓPRIOS ATOS QUE MOTIVARAM AS AÇÕES TERRORISTAS CONTRA ELES . OS NORTE AMERICANOS OCUPARAM FÍSICAMENTE O AFEGANISTÃO DOS TALIBÃS E O IRAQUE. PORÉM OS TALIBÃS OCUPARAM PSICOLÓGICAMENTE AS MENTES DOS NORTE AMERICANOS. E COM CERTESA COMO SE DEU A PROFECIA DE BIN LADEM, FEITA EM  8 DE OUTUBRO DE 2002  OS ESTADOS UNIDOS NUNCA MAIS TERÃO PAZ, SEGURANÇA. HOJE O PAÍS É REFÉM DO MEDO DIFUSO.
PENSEMOS NISSO, O MUNDO ESTÁ SE AUTO DESTRUINDO CADA DIA E AS INTOLERÂNCIA, AUTO GOVERNAMENTAIS, ESTÃO LEVANDO O MUNDO PARA AUTO DESTRUIÇÃO.